Dezenas de pais foram surpreendidos na quinta-feira de manhã, 15 de dezembro, pelo facto de alguém ter fechado a cadeado o portão da escola dos Combatentes, em Santarém, onde no dia anterior ocorreram dois acidentes com crianças por alegada falta de vigilância.

A confusão instalou-se logo a partir das 8h45, hora a que os familiares começam a deixar os filhos na escola. O cadeado foi rebentado pelos bombeiros municipais de Santarém pelas 9h25, já com a PSP no local.

A associação de pais demarca-se do ato mas diz compreender a indignação e a revolta de alguns encarregados de educação pela falta de resposta aos muitos problemas da escola, que tem cerca de 140 alunos no jardim-de-infância e no 1º ciclo. Os queixosos exigem a colocação de mais auxiliares de educação, pois estão ao serviço apenas três funcionárias, encontrando-se duas de baixa médica.

A falta de vigilância terá sido um dos motivos que levou aos dois acidentes ocorridos no dia anterior, em que um menino de seis anos caiu do 1º andar e outro, de sete anos, partiu a cabeça no recreio.

Segundo a associação de pais, deveria ter sido colocada mais uma auxiliar no início deste ano lectivo, uma vez que a escola passou a funcionar com mais uma turma no 1º ciclo. E os problemas estendem-se também à falta de loiça no refeitório, pois parte das crianças tem que esperar que os pratos e os talheres usados por outros alunos sejam lavados para poderem almoçar, e à falta de um espaço abrigado para as crianças poderem brincar quando está mau tempo.

Entre os encarregados de educação que se concentraram ao portão da escola encontravam-se muitos descontentes com a situação. “Isto não resolve nada e só causa transtornos a quem vai trabalhar e não tem onde deixar os filhos”, disse uma mãe ao Rede Regional.

Já vereadora da educação na Câmara de Santarém, Luísa Féria, considera que “foi uma atitude irreflectida por parte de quem não se identificou, e despropositada, uma vez que a falta de funcionárias verificou-se apenas num dia”. A autarca garante que a situação “está a ser resolvida e salienta que tem mantido “uma excelente relação com a associação de pais, que é bastante activa, no sentido de dialogar para resolver os problemas”, e que a loiça para o refeitório “já está encomendada”. “As próprias responsáveis da escola, que tudo têm feito para resolver as situações, não mereciam passar por isto”, concluiu a vereadora.