“Nunca tive a intenção de matar aquela que foi a mulher da minha vida”, afirmou perante o coletivo de juízes do Tribunal de Santarém Rui Vieira, o homem que começou esta terça-feira, 12 de novembro, a ser julgado pelo homicídio da ex-companheira, Ana da Silva, na danceteria São Martinho, na Golegã.

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Segundo o arguido, os dois tiros de caçadeira que disparou eram direcionados ao homem que acompanhava a sua ex-mulher na noite de 17 de fevereiro, naquele estabelecimento de diversão noturna, e que ele acreditava ser um novo namorado.
Rui Vieira explicou que já os tinha visto juntos noutras danceterias em Ourém e Santarém, e que sentia que o homem o desafiava “com o olhar” e que o “provocava”.
“Também não o queria matar, queria apenas chumbá-lo nas pernas porque ele andava a gozar com a minha cara”, confessou Rui Vieira, que começou a responder por quatro crimes, homicídio qualificado e homicídio qualificado na forma tentada, detenção de arma proibida e violência doméstica.
Sobre a perseguição que moveu à vítima nos meses antes do crime e as agressões que ditaram o fim do relacionamento, o arguido afirmou que nunca agrediu fisicamente ou ofendeu por palavras Ana da Silva, mas o seu relato foi de seguida desmentida pelos três filhos da vítima, que vieram ao tribunal contar alguns episódios de violência, e dizer que a mulher vivia assustada e com medo de Rui Vieira.
Mesmo confrontado pela Procuradora do Ministério Público (MP) com as mensagens SMS ameaçadoras que enviou à ex-companheira, o arguido afirmou que nunca planeou ou quis a sua morte, e que, na noite do crime, foi à sua casa, em Riachos, concelho de Torres Novas, buscar a caçadeira apenas com a intenção de ferir o homem que a acompanhava.
Recorde-se que Rui Vieira, de 63 anos, assassinou a ex-companheira, Ana da Silva, que tinha 53 anos, com um tiro de caçadeira pelas costas, no parque de estacionamento da danceteria São Martinho, na Golegã, em fevereiro último.
O casal, segundo o Despacho de Acusação do MP, residiu na mesma casa, com os três filhos da mulher, entre 2012 e 2014, altura em que começaram a viver separadamente, mas sem terminar os encontros fortuitos.
Em agosto de 2018, Ana da Silva quis colocar um ponto final na relação, algo que Rui Vieira nunca aceitou, passando a persegui-la, segundo o MP, até ao dia em que a matou, por ciúmes e de forma premeditada.

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