Vitorino Neves, o homem que assassinou João Calado num café em Marinhais, concelho de Salvaterra de Magos, mostrou-se “profundamente arrependido” do crime perante o coletivo de juízes que o começou a julgar esta terça-feira, 17 de setembro, mas garante que agiu “em legítima defesa”.

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O arguido, de 54 anos, optou por prestar declarações na primeira sessão do julgamento, onde chegou a chorar e a pedir perdão à família da vítima, mas sem conseguir explicar os motivos que estiveram na base da discussão que levou os dois homens para o exterior do café “Toinito” no dia 7 de outubro de 2018, durante um jogo de futebol entre o Benfica e o FC Porto.
Segundo Vitorino Neves, foi João Calado quem o provocou e chamou para fora do café ao intervalo, e quem o começou a agredir “com uma moca” assim que chegou à rua, sem razão aparente.
Mesmo surpreendido, o arguido conseguiu defender-se e tirar a moca à vítima, o que o levou a dirigir-se à bagageira do seu carro, onde este acreditava que ele iria buscar uma arma de fogo.
Para o evitar, foi atrás de João Calado e tirou do bolso o canivete que trazia sempre consigo, acabando por esfaqueá-lo, mas sem querer atingi-lo perto do coração ou sequer imaginar que o poderia matar.
A versão de Vitorino Neves acabou por não convencer plenamente nem o coletivo de juízes nem a Procuradora do Ministério Público, que o inquiriram várias vezes acerca do facto de ainda ter pontapeado a vítima duas vezes quando esta já estava a sangrar no chão, e de se ter ido embora para casa, onde despiu a roupa ensanguentada e tomou banho, antes de regressar ao local do crime e entregar-se à GNR.
O arguido confessou ainda que tinha ingerido bebidas alcoólicas durante a tarde, pois esteve num convívio de amigos no café “Toinito”, e que só “conhecia de vista” João Calado, com quem trocava apenas cumprimentos de circunstância quando se cruzavam na vila.

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