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Os problemas de funcionamento do Hospital de Santarém foram motivo de uma pergunta entregue na Assembleia da República pelo grupo parlamentar do PS, que pretende saber se o Ministério da Saúde tem conhecimento da "gravidade da situação" instalada no bloco operatório central e quando planeia fazer as obras necessárias, entre outras questões.

Segundo o documento entre por Idália Serrão, João Galamba e António Gameiro, deputados eleitos pelo círculo de Santarém, o bloco operatório "tem vindo a funcionar de forma deficiente, obrigando ao adiamento e mesmo ao cancelamento das cirurgias", situação que se prolonga "já desde os finais de 2013, sem que nenhuma solução seja proposta".

Considerando que a "situação tornou-se insustentável", os eleitos lembram que a "lista de espera para cirurgia encontra-se descontrolada, sendo a gestão do bloco feita diariamente e mediante as condições das salas, uma vez que o sistema de ar condicionado, ventilação e aquecimento não está a funcionar em condições, há muito tempo".

No documento entregue no Parlamento, o grupo do PS considera que há vários casos tornados públicos "que atentam contra os direitos e a dignidade dos utentes", e que foram inclusivamente reconhecidos pela Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARS-LVT).

Uma vez que esta entidade tem em curso “um projeto de intervenção de remodelação, requalificação e modernização dos blocos operatórios, numa dimensão estrutural que os garanta ao melhor nível, para os próximos 25 anos”, os deputados questionam também o Ministério da Saúde acerca da forma como será feita a gestão da lista de cirurgias programadas e das cirurgias que decorrem do funcionamento do serviço de urgência.

Dezenas de peixes mortos voltaram a surgir este domingo e segunda-feira nas águas da Albufeira dos Patudos, em Alpiarça, voltando a colocar em causa a questão da falta de qualidade da água naquele local.

Já esta tarde a agência Lusa, citando o diretor de Departamento de Comunicação e Cidadania Ambiental da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Francisco Teixeira, avança que apesar dos resultados das análises amostradas neste ano ainda se encontram, em parte, a ser processados pelo laboratório, há já dados, de 21 de agosto, que confirmam que "os valores encontrados para os parâmetros de clorofila e nitritos se encontram acima dos respetivos valores máximos recomendados".

"O excesso de nutrientes existentes na água e as temperaturas elevadas podem levar ao aparecimento de maiores quantidades de algas que, durante o período noturno, fazem baixar os níveis de oxigénio para valores que põe em risco a vida piscícola", frisou Francisco Teixeira à Lusa.

Para resolver o problema é necessário renovar as águas ao nível mais profundo, bem como a remoção da matéria orgânica acumulada, uma intervenção que apenas poderá ser feita na época das chuvas e com caudais elevados no meio recetor.

A denúncia da nova mortandade na Albufeira da barragem dos Patudos foi feita pelo vereador do PS na Câmara Municipal de Alpiarça, Pedro Gaspar, que apelou à suspensão imediata da utilização pública da água.

A autarquia também já reagiu. O presidente da, Mário Pereira (CDU), referiu à Lusa que a autarquia tem tentado minimizar o problema, através da injeção de água pura para oxigenação da albufeira, arejadores e repuxos, reconhecendo, no entanto, que estas medidas não passam de "meros paliativos", tendo em conta a dimensão do problema, que pode custar dezenas ou centenas de milhares de euros. A solução deverá passar pela candidatura a fundos comunitários.

Ainda segundo a Lusa, entre os anos 1995 e 2012 a qualidade da água naquela Albufeira foi sempre considerada pelas autoridades como "má" (1997, 1998 e de 2000 a 2011) ou "muito má" (1995, 1996, 1999 e 2012).

hospital santarem

A situação do bloco operatório do Hospital de Santarém é mais um dos sintomas de que esta unidade de saúde está a chegar a um “ponto insustentável”. A afirmação é do presidente da Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo (CIMLT), Pedro Ribeiro (PS), que também é presidente da Câmara de Almeirim.

Ouvido pela agência Lusa, o presidente da CIMLT disse não compreender a ausência de resposta do Ministério da Saúde ao pedido de diálogo feito há mais de um mês pelos autarcas da região.

“Entendemos que existam assuntos que demoram a ser resolvidos, mas quando se trata da vida das pessoas não aceitamos que não haja resposta", afirmou Pedro Ribeiro, que questiona quem será culpado se alguma cirurgia tiver que ser interrompida a meio ou alguém que devia ser operado com urgência morrer.

“Se não há dinheiro, verifiquem, e expliquem, de onde vem o dinheiro que entra em grupos como a Espírito Santo Saúde ou a Mello Saúde. Se essa é a opção então digam clarinho”, referiu Pedro Ribeiro.

Questionada pela Lusa, a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo admitiu "algum condicionamento" do Bloco Operatório Central do Hospital de Santarém no mês de agosto "por razões climatéricas", frisando que nos primeiros sete meses do ano se realizaram mais 382 intervenções que em igual período de 2013, tendo havido uma redução do tempo de espera em 55 dias.

 

Bloco vai entrar em obras

A Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARS-LVT) garantiu entretanto que o bloco operatório do Hospital de Santarém vai ser alvo de uma intervenção muito profunda que obrigará ao seu encerramento total durante 120 dias, previsivelmente nos primeiros meses de 2015.

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