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O casal de médicos cubanos que presta serviço no centro de saúde de Alpiarça deverá sair no final de Janeiro, o que vai deixar cerca de 4.000 utentes sem médico de família.

“Temos essa informação e o que nos preocupa de momento é saber se vão ser substituídos”, disse à Rede Regional Paula Matias, da comissão de utentes de saúde de Alpiarça, que já pediu uma reunião de urgência à comissão executiva do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) da Lezíria II, com sede em Almeirim.

Os médicos encontram-se neste momento de férias, segundo o semanário Sol, mas já transmitiram ao ACES que vão deixar o trabalho em Fevereiro. A directora executiva do ACES Lezíria, Luísa Portugal, disse ao mesmo jornal não ter qualquer garantia que os profissionais venham a ser substituídos, reconhecendo que a sua saída “faz toda a diferença no atendimento aos doentes”.

Segundo Paula Matias, dos 7.587 utentes inscritos no centro, apenas 263 estão de momento sem médico de família, uma situação que a própria considera “muito boa, tendo em conta outras realidades aqui bem próximas”. “Se não forem substituídos, mais de metade dos utentes ficará sem médico de família”, alerta a responsável, pois os dois clínicos que permanecem em Alpiarça são claramente insuficientes para as necessidades da população.

Estes dois médicos, Jorge Sobriño e Mercedez Garcia, fazem parte de um grupo de 44 profissionais que em 2009 vieram para suprimir a falta de cuidados de saúde primários nos centros de saúde do Algarve, Alentejo e Ribatejo. A contratação realizou-se ao abrigo de um acordo entre governo cubano e o Ministério da Saúde português, entidades que ainda não chegaram a acordo para a renovação dos contratos de trabalho ou para a eventual substituição dos médicos.

O presidente da Câmara Municipal de Alpiarça diz estar “confiante” no que ficou acordado com o Ministério da Saúde, ou seja, na colocação de outros dois clínicos quando estes deixassem de prestar serviço.

“Todos sabíamos que esta era uma situação transitória e não tenho para já nenhuma indicação de que não serão substituídos”, disse à Rede Regional Mário Pereira, explicando que tem estado em contacto com outros autarcas do Alentejo e do Algarve, e “que têm as mesmas indicações”.

“Acredito que o Ministério honrará o seu compromisso”, acrescentou o autarca, sublinhando que “a população está bastante satisfeita com o trabalho deste casal cubano”.

“A maioria dos utentes mostra ter uma opinião muito positiva acerca deles”, afirma Paula Matias, acrescentando que “têm prestado um excelente serviço tanto no atendimento às pessoas como no encaminhamento para consultas da especialidade”.

Além da substituição destes dois clínicos, a comissão de utentes de saúde de Alpiarça exige também a colocação de mais um enfermeiro, uma vez que o profissional que se reformou há cerca de três anos ainda não foi substituído. No próximo sábado, 21 de Janeiro, realiza-se um plenário na Casa do Povo de Alpiarça, a partir das 15 horas, que servirá, segundo a responsável “para debater estas questões e definir acções concretas sobre medidas a tomar”.

A concentração das urgências hospitalares no hospital de Abrantes e das cirurgias na unidade de Tomar, o que implica o encerramento do bloco operatório de Torres Novas, são duas das principais alterações previstas na reestruturação do Centro Hospitalar Médio Tejo (CHMT), desenhado pelo novo conselho de administração liderado por Joaquim Esperancinha.

Perante as vozes de indignação que se vão fazendo ouvir, desde autarcas a comissões de utentes de saúde, este não será um processo pacífico nem tranquilo, mas é essencial para reduzir custos e optimizar serviços num centro hospitalar que, segundo números da administração, apresenta resultados negativos acumulados na ordem dos 160 milhões de euros.

E 60 milhões são dívidas a fornecedores e terceiros, ou seja, fora do âmbito do que é suportado pelo Serviço Nacional de Saúde.

Além da reestruturação interna, Joaquim Esperancinha anunciou também uma auditoria externa às contas do anterior conselho de administração, que deverá estar concluída até ao final de Janeiro, e deixou no ar que há situações que algumas situações podem ser transmitidas ao Ministério Público, a quem competirá averiguar sobre a sua legalidade. Uma boa parte dos casos estão já plasmados num relatório da Inspecção Geral de Finanças (IGF), de 2011, que é completamente arrasador em relação à gestão do conselho de administração liderado por António Andrade.

No novo desenho clínico, os hospitais de Torres Novas e Tomar passam a ter apenas urgências básicas sem atendimento especializado. Todas os casos urgentes serão encaminhados para Abrantes, e está prevista a aquisição de duas viaturas de suporte básico de vida (SUV), para transporte entre as unidades do CHMT. A urgência pediátrica passa apenas para Torres Novas. O Hospital de Santa Maria de Tomar perde também a medicina interna, que se mantém nas restantes duas unidades, mas ganha o serviço de cirurgia, prevendo-se que passe a realizar mais de 90% das cirurgias agendadas.

Segundo a administração, a transferências de serviços e a reorganização de valências – cujo prazo se estende até Março – é essencial para operacionalizar o CHMT, que Joaquim Esperancinha comparou a “uma empresa totalmente falida”.

A nível da racionalização e a contenção de custos, foi também anunciado que os dirigentes do conselho de administração e de departamentos vão ser reduzidos de 19 para 10, e que os directores de serviço passarão dos actuais 41 para 19 elementos.

O grande objectivo de todas estas medidas é ter o défice controlado num prazo de três anos.

A anunciada reestruturação de serviços nas três unidades hospitalares que integram o Centro Hospitalar do Médio Tejo, levou o PCP a solicitar uma reunião aos responsáveis pela gestão dos hospitais de Tomar, Abrantes e Torres Novas.

Os comunistas estão preocupados com eventuais consequências negativas para os utentes, que, no entender do PCP, verão ainda mais dificultado o seu acesso à prestação de cuidados de saúde na região.

“A chamada concentração de serviços vem somar-se às crescentes dificuldades no acesso aos cuidados de saúde primários (Centros e Extensões de Saúde) nos 11 concelhos abrangidos, pondo em causa o Serviço Nacional de Saúde”, refere um comunicado Direcção Regional de Santarém do PCP num comunicado enviado à Rede Regional.

O encontro entre a administração do centro hospitalar e os responsáveis comunistas vai realizar-se a 26 de Janeiro e vai contar com a presença do secretário-geral do partido, Jerónimo de Sousa.

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