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A “maior distância a que alguns serviços ficaram dos utentes” e o “aumento do tempo de espera nos atendimentos” que se verificam desde a reorganização do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT) agravaram “as dificuldades no acesso a cuidados de saúde e a qualidade dos serviços prestados”.

Quem o afirma é a Comissão de Utentes de Saúde do Médio Tejo (CUSMT), num comunicado onde dá conta de uma situação caótica e com tendências para piorar, tendo por base “vários testemunhos recolhidos” e a “verificação nos locais”, ou seja, nos hospitais de Tomar, Torres Novas e Abrantes.

“A qualidade das urgências baixou, tendo em conta o aumento dos tempos de espera (muitas vezes em maca) e o tempo do transporte de emergência entre unidades”, alerta a CUSMT, adiantando que muitos utentes e familiares chegam ao ponto de optar por não preencher o Livro de Reclamações manifestando “receio de virem a ser prejudicados no atendimento se protestarem formalmente”.

A comissão diz ainda não entender que “numa urgência atendida em Torres Novas ou Tomar, onde existem especialidades da doença detectada, o utente seja mandado para a urgência de Abrantes para poder ser internado, regressando muitas vezes a estes hospitais onde vai ser tratado e internado.

“Além do sofrimento e do risco de vida suportado pelo utente está a fazer-se duplicação de urgências e de serviços e gastos desnecessários em transportes”, sustentam os autores da denúncia, para quem “ainda não foi apresentado qualquer estudo sobre as poupanças geradas”.

“Temos dúvidas que o SNS e o CHMT estejam a poupar”, tendo em conta “o custo dos veículos, tripulantes, combustíveis, portagens. Mas existe uma certeza: os utentes e os seus familiares estão a gastar mais”, sublinham.

Têm-se verificado também muitos protestos de familiares e amigos acerca dos internamentos em medicina interna e pediatria, “por estarem longe das zonas de residência”. Para a CUSMT, “por razões clínicas, humanas e financeiras, o internamento em medicina interna e pediatria deveria existir nas três unidades”.

“As actuais políticas de organização dos cuidados de saúde e as restrições orçamentais, impostas pelo Governo, têm provocado sofrimento e dor a utentes e familiares, numa clara regressão de qualidade dos serviços prestados”, conclui a comissão, para quem não há qualquer plano estratégico para uma reorganização sustentada do CHMT.

 

O centro de saúde de Santarém deixou as instalações no antigo Hospital de Jesus Cristo, propriedade da Santa Casa da Misericórdia de Santarém, e passa a funcionar a partir de 3ª feira, 13 de Março, no bairro de São Bento, na vivenda que durante largos anos acolheu o Centro de Área Educativa (CAE) do Ministério da Educação.

É na rua António Bastos, nº 2, que passam agora a estar concentrados o serviço de saúde pública, o serviço de cardiopneumologia, e duas das quatro unidades de saúde familiares (USF) que existem no concelho de Santarém: a USF Planalto (que funcionava nas antigas instalações da Misericórdia), e a USF Almeida Garret (que tem funcionado na extensão de S. Nicolau).

“Ficam claramente resolvidas as necessidades do concelho em termos de saúde familiar”, referiu à Rede Regional Carlos Ferreira, director do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Ribatejo, no final de uma visita guiada às novas instalações, remodeladas com um investimento que rondou os 1,1 milhões de euros, com financiamentos comunitários.

Segundo Carlos Ferreira, as duas USF estão aptas a servir uma população de 27.500 pacientes, ao passo que o serviço de saúde pública e a cardiopneumologia “destinam-se a todos os utentes do concelho”.

Depois das obras de adaptação e remodelação, o centro de saúde de Santarém passa a dispor de 38 gabinetes para consultas médicas, além de novas salas de enfermagem, espaços administrativos e escritórios para reuniões, entre outras funcionalidades.

Divididas por cores e sinaléticas diferentes, cada uma das USF funciona isoladamente, dispondo de gabinetes médicos, salas de espera, serviços administrativos e instalações de apoio próprias.

A cardiopneumologia foi instalada no piso inferior da vivenda, um dos espaços interiores que sofreu maiores obras de adaptação, e dispõe também de uma entrada autónoma. À entrada do edifício, foi construída uma nova rampa para permitir o acesso a deficientes e pessoas de mobilidade reduzida, tal como foi colocado um elevador no interior.

Além do espaço oferecer outras condições de trabalho e conforto aos profissionais de saúde e aos utentes, a saída das antigas instalações permite uma poupança directa de 70 mil euros por ano, só nas rendas que eram pagas à Santa Casa da Misericórdia, salientou ainda Carlos Ferreira.

O processo de reestruturação do Centro Hospitalar Médio Tejo (CHMT) pode resultar no despedimento de pessoal e no corte a nível de recursos humanos nos hospitais de Tomar, Torres Novas e Abrantes, se as dificuldades financeiras se prolongarem.

Quem o admitiu foi o próprio presidente do concelho de administração, Joaquim Esperancinha, na quarta-feira, 7 de Março, na Assembleia da República, durante uma audiência na comissão parlamentar de saúde, realizada a pedido do Bloco de Esquerda.

O CHMT tem actualmente um défice acumulado de 160 milhões de euros, dos quais 60 milhões correspondem a dívidas a fornecedores, salientou o responsável aos deputados.

“Se o conselho de administração tiver capacidade para inverter a tendência de resultados, seguramente não haverá despedimentos”, disse Joaquim Esperancinha, citado pela Lusa, frisando que “se esta situação se mantiver, nenhuma instituição pode continuar com esta trajectória de resultados”.

O responsável, segundo a Lusa, acrescentou ainda que, em 2011, o CHMT teve custos na ordem dos 103 milhões de euros e anunciou que, em 2013, pretende diminuir esse valor em 17 milhões de euros. Para tentar controlar o défice em valores entre os três e os cinco milhões de euros, Esperancinha diz serem necessários três anos para trabalhar.

Sobre a anterior gestão do centro hospitalar, o actual presidente do CA voltou a frisar ter detectado situações que lhe pareceram menos claras, e que levaram a que pedisse uma auditoria externa à actuação dos anteriores responsáveis, que ainda está a decorrer.

Consciente de que a distribuição do centro hospitalar por três unidades de saúde que distam de 30 quilómetros entre si pode ser um entrave para alguns utentes, Joaquim Esperancinha explicou, segundo a Lusa, que o CHMT fez um protocolo com uma transportadora local. “O serviço começou na segunda-feira. Os autocarros vão percorrer os três hospitais três vezes por dia em cada sentido”, disse.

Segundo o mesmo, há 20 lugares gratuitos para os utentes e para os restantes está a ser negociado um valor simbólico.

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