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O presidente da Câmara Municipal de Santarém, Ricardo Gonçalves (PSD), enviou na tarde desta quinta-feira, 18 de abril, um pedido de reunião, com carácter de urgência, ao ministro da Saúde, Paulo Macedo.

O autarca está preocupado com os relatos que recebeu dos meios de comunicação, da população, dos utentes e dos profissionais de saúde do Hospital de Santarém, sobre situações que comprometem seriamente a regular prestação de serviços e cuidados de saúde.

“A preocupação com que recebi a informação sobre a rutura de stocks de medicamentos oncológicos (com suspensão de tratamentos), a dificuldade na elaboração das escalas de urgência determinando a pré-rutura deste serviço, a carência de médicos e enfermeiros em diversos serviços de cirurgia, consulta ou internamento, com atrasos inadmissíveis na marcação de consultas de especialidade prioritárias, que afetam gravemente a população do Concelho e da região, levaram-me a tomar esta iniciativa”, explica Ricardo Gonçaves.

Apesar de o município não possuir competências na área da prestação de cuidados de saúde hospitalares, o presidente da autarquia garante que tudo fará para encontrar, em conjunto com o Ministério da Saúde, “a mais rápida e eficaz solução para esta grave situação”.

Recorde-se que a notícia sobre a falta de medicamentos oncológicos no Hospital de Santarém foi avançada pelo Rede Regional no sábado, 13 de abril. Veja a notícia em causa AQUI.


A Comissão de Utentes de Saúde do Médio Tejo (CUSMT) pediu ao Ministério da Saúde a substituição do atual Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT) como "forma de garantir transparência, comunicação e o diálogo com a comunidade" e para que seja elaborado um plano que garanta "a prestação de cuidados de saúde para responder às necessidades das populações".

Num comunicado onde não faltam críticas arrasadoras à gestão da equipa liderada por Joaquim Esperancinha, a CUSMT e a Comissão de Saúde da Assembleia Municipal de Tomar consideram que a atuação do Conselho de Administração "tem-se mostrado prejudicial para as populações, pois o acesso a cuidados de saúde ficou mais longe, mais caro e de pior qualidade".

A anunciada reorganização do centro hospitalar - que se divide entre Tomar, Torres Novas e Abrantes - tem sido feita aos "soluços" e "sem quaisquer bases técnicas e socialmente justificáveis", sustentam os movimentos dos utentes.

"Foi prejudicial para os utentes a decisão de concentrar as urgências", assinala a CUSMT, acrescentando que "os factos provam que as populações das zonas de Tomar e Torres Novas ficaram com um serviço mutilado, enquanto a de Abrantes não tem condições para abarcar todas as necessidades de cuidados de saúde urgentes".

"Embora as unidades de saúde tenham como objetivo central a prestação de mais e melhores cuidados, o CA, em vez de ganhos em saúde, apenas refere as reduções de despesa, como se a vida e a dignidade humana tivessem preço", lamentam ainda os signatários no documento, onde assinalam ainda que, "mesmo nesta área, os ganhos foram conseguidos com diminuição da atividade e com a diminuição das despesas com recursos humanos, fruto das medidas governamentais que têm visado baixar os custos do trabalho".

Sobre os recursos humanos dos três hospitais, os movimentos adiantam que "os trabalhadores andam desmotivados e receosos do futuro, quer em relação às condições contratuais quer em relação à organização de serviços e capacidade de prestação de cuidados" e acusam a administração de "tem dificuldade em dialogar e prestar informações às entidades locais".

"Até parece que o prestar informações e ou dialogar com as entidades locais faz perigar a sustentabilidade ou agravar o défice do CHMT", lê-se no comunicado, onde a CUSMT acrescenta ainda que vai solicitar à Inspeção-geral das Atividades em Saúde que averigue a "qualidade dos cuidados prestados em alguns serviços do CHMT, nomeadamente nas urgências".


Vários doentes oncológicos do Hospital de Santarém foram obrigados a interromper a meio uma sessão de quimioterapia por falta de um medicamento, na última terça-feira, dia 9 de Abril.

Segundo um dos pacientes lesados, Evaristo Fernandes, o caso não é único no serviço de oncologia do hospital, onde os doentes, em várias ocasiões, têm sido mandados para casa mais cedo sem completar os ciclos de tratamento determinados pelos médicos, por faltas recorrentes de fármacos.

O Conselho de Administração (CA) do Hospital confirma este caso e lamenta o incómodo causado a este grupo de pacientes, mas desmente que exista uma falta sistemática de medicamentos para os tratamentos de oncologia.

"Neste caso particular, trata-se de uma rutura de um medicamento a nível mundial. Tem havido algum racionamento na sua distribuição por parte do fornecedor e nós temos sentido dificuldades em assegurá-lo", disse à Rede Regional o presidente do CA, José Josué, explicando que se trata de "ácido fólico", um "adjuvante" que "não compromete os tratamentos".

O mesmo responsável garantiu ainda que os stocks do hospital foram entretanto repostos e que "não há qualquer tentativa de poupança interna por questões económicas ou de cortes".

Mas, segundo Evaristo Fernandes, os doentes têm-se deparado com uma realidade bem diferente, nas últimas semanas.

"Além de faltarem medicamentos e os tratamentos ficarem a meio, nós notamos a falta de outras coisas mais simples, como agulhas adequadas, seringas, álcool para limpar as cadeiras ou até papel no WC", garante o paciente, que considera este conjunto de situações "inadmissíveis".

"Tenho 43 anos de descontos e exijo ser tratado com maior respeito. Estamos a falar de situações bastantes complicadas do ponto de vista humano", acrescenta Evaristo Fernandes, explicando que, na generalidade, todos os pacientes que já se confrontaram com esta situação "têm algum receio acerca dos efeitos secundários que este tipo de interrupções nos tratamentos pode provocar no seu estado de saúde".

Onda de indignação nas redes sociais

No dia da interrupção do tratamento, Evaristo Fernandes denunciou o caso na sua página do Facebook.

"Sabemos que estamos condenados, mas nada de abreviar a nossa ida, nós não temos pressa nenhuma e não fomos nós que provocámos esta crise" foram as palavras que, em poucas horas, chegaram às centenas de partilhas pela rede e geraram uma onda de solidariedade e de indignação com a falta de medicamentos.

Entre os que comentaram ou dirigiram palavras de apoio a Evaristo Fernandes, estão médicos - pelo menos um deles até já trabalhou no Hospital de Santarém - e pessoas que dizem ter familiares que já passaram por situações semelhantes.

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