A deputada Helena Pinto, do Bloco de Esquerda, vai questionar o Ministério da Saúde sobre uma possível transferência da maternidade do Hospital de Santarém para Vila Franca de Xira, uma hipótese que o Conselho de Administração da unidade hospitalar scalabitana diz não ter conhecimento e desmente categoricamente.

A questão surgiu esta terça-feira, 21 de maio, num comunicado de imprensa da Comissão Concelhia de Santarém, onde o BE denuncia a possibilidade dos serviços de saúde associados à maternidade serem transferidos no âmbito de uma "parceria público-privada com a José de Mello Saúde no Hospital de Vila Franca de Xira, com quem foram contratualizados mas não cumpridos 2.000 partos /ano".

O Hospital de Santarém "não tem qualquer conhecimento das intenções e dos pressupostos de encerramento, transferência ou mobilidade de serviços e de profissionais", esclareceu à Rede Regional José Josué, o presidente do Conselho de Administração (CA).

No caso concreto do serviço de ginecologia / obstetrícia e maternidade, continua José Josué, "trata-se de uma unidade muito diferenciada, com grande atividade e com corpo clínico, médico e de enfermagem de grande qualidade e suficiente para assegurar as suas competências e responsabilidades, algumas das quais de âmbito distrital".

Neste serviço em concreto, que "é muito mais do que uma maternidade / bloco de partos", o Hospital de Santarém "tem uma procura bastante elevada e uma capacidade de resposta muito bem dimensionada para responder a essa procura", garante o responsável, que não vê razões para se falar do seu encerramento.

"O Bloco de Esquerda obteve esta informação e vai desde já levantar esta questão na Assembleia da República, porque tem que haver uma postura clara e frontal sobre estas matérias", explicou à Rede Regional Helena Pinto.

"Vamos questionar o ministro da Saúde sobre se há ou não conversações nesse sentido, se esta hipótese está a ser equacionada e qual é a sua posição sobre este assunto, para ficar desde já tudo esclarecido", acrescentou a deputada.

"Tratando-se de uma excelente maternidade, com excelentes equipas e com boa posição geográfica, na capital de distrito, não há razões para o seu eventual encerramento", consideram os bloquistas.

Enfermeiros denunciam problemas graves

Além da questão da maternidade, o BE, no comunicado, mostra-se ainda preocupado com a perda de especialidades, a falta de enfermeiros e a rotura de stocks de medicamentos, que "estão sempre no limite mínimo".

Numa reunião com o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), o partido foi informado que o Hospital de Santarém "precisa de contratar 25 enfermeiros", mas a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo "não dá seguimento ao processo".

"Nas condições atuais, há cuidados que ficam por prestar e rácios de profissionais de saúde / utente que não cumprem as regras de segurança", afirma o Bloco, acrescentando que "a contratação de médicos à hora e de enfermeiros a recibo verde causa problemas de instabilidade e insegurança nos serviços, problemas financeiros e desigualdade entre profissionais".