Vários doentes oncológicos do Hospital de Santarém foram obrigados a interromper a meio uma sessão de quimioterapia por falta de um medicamento, na última terça-feira, dia 9 de Abril.

Segundo um dos pacientes lesados, Evaristo Fernandes, o caso não é único no serviço de oncologia do hospital, onde os doentes, em várias ocasiões, têm sido mandados para casa mais cedo sem completar os ciclos de tratamento determinados pelos médicos, por faltas recorrentes de fármacos.

O Conselho de Administração (CA) do Hospital confirma este caso e lamenta o incómodo causado a este grupo de pacientes, mas desmente que exista uma falta sistemática de medicamentos para os tratamentos de oncologia.

"Neste caso particular, trata-se de uma rutura de um medicamento a nível mundial. Tem havido algum racionamento na sua distribuição por parte do fornecedor e nós temos sentido dificuldades em assegurá-lo", disse à Rede Regional o presidente do CA, José Josué, explicando que se trata de "ácido fólico", um "adjuvante" que "não compromete os tratamentos".

O mesmo responsável garantiu ainda que os stocks do hospital foram entretanto repostos e que "não há qualquer tentativa de poupança interna por questões económicas ou de cortes".

Mas, segundo Evaristo Fernandes, os doentes têm-se deparado com uma realidade bem diferente, nas últimas semanas.

"Além de faltarem medicamentos e os tratamentos ficarem a meio, nós notamos a falta de outras coisas mais simples, como agulhas adequadas, seringas, álcool para limpar as cadeiras ou até papel no WC", garante o paciente, que considera este conjunto de situações "inadmissíveis".

"Tenho 43 anos de descontos e exijo ser tratado com maior respeito. Estamos a falar de situações bastantes complicadas do ponto de vista humano", acrescenta Evaristo Fernandes, explicando que, na generalidade, todos os pacientes que já se confrontaram com esta situação "têm algum receio acerca dos efeitos secundários que este tipo de interrupções nos tratamentos pode provocar no seu estado de saúde".

Onda de indignação nas redes sociais

No dia da interrupção do tratamento, Evaristo Fernandes denunciou o caso na sua página do Facebook.

"Sabemos que estamos condenados, mas nada de abreviar a nossa ida, nós não temos pressa nenhuma e não fomos nós que provocámos esta crise" foram as palavras que, em poucas horas, chegaram às centenas de partilhas pela rede e geraram uma onda de solidariedade e de indignação com a falta de medicamentos.

Entre os que comentaram ou dirigiram palavras de apoio a Evaristo Fernandes, estão médicos - pelo menos um deles até já trabalhou no Hospital de Santarém - e pessoas que dizem ter familiares que já passaram por situações semelhantes.