ACTUALIZADA - A partir do dia 1 de Fevereiro, os alunos de quatro concelhos do distrito correm o risco de pagar os bilhetes do transporte escolar por dívidas das respectivas autarquias. Almeirim, Cartaxo, Torres Novas e Barquinha são as Câmaras Municipais que têm vários meses de pagamento em atraso com a Rodoviária do Tejo, empresa que diz estar numa “situação limite” com os “incumprimentos recorrentes”.

“Estamos a alertar que a corda vai rebentar. Não é possível continuar a arrastar a situação”, afirmou à Lusa Rui Silva, presidente da Rodoviária do Tejo, sublinhando que, neste momento, a empresa está com “tolerância zero” e que as câmaras foram alertadas para esta situação limite. O responsável disse ainda que a empresa começou já a informar algumas escolas para a eventualidade dos alunos só entrarem nos autocarros se pagarem os respectivos títulos, a partir de 1 de Fevereiro.

“Há reacções de Câmaras para tentar arranjar solução para evitar que esse passo limite aconteça, mas é insustentável andarmos continuamente a mendigar que paguem os serviços por nós prestados”, sublinhou.

No início deste ano lectivo, a empresa alertou as autarquias de que “não tinha margem de manobra” e que se corria o risco de serem os estudantes a suportar os custos do transporte escolar. Entre Setembro e Novembro houve alguma recuperação da dívida, que na altura rondava os 10,5 milhões de euros, mas em Dezembro houve uma inversão e o saldo aumentou em mais meio milhão de euros, explicou o mesmo responsável. Segundo o mesmo, dos 43 municípios servidos pela Rodoviária do Tejo, apenas em 12 os atrasos nos pagamentos não ultrapassam os três meses. Há municípios com 22 meses de atraso, com a agravante de que “nem sequer avisam quando vão entrar em incumprimento” nos planos de pagamento entretanto acordados.

 

Autarcas dizem-se “surpreendidos” com atitude da Rodoviária do Tejo

 

Ouvidos pela Lusa, os quatro autarcas de concelhos ribatejanos mostram-se surpreendidos com as declarações do responsável da Rodoviária do Tejo. "A Câmara Municipal de Torres Novas fez recentemente um pagamento de 1,3 milhões de euros, que está a pagar ao banco, estando o saldo atual perfeitamente controlado", afirmou a esta agência noticiosa o presidente António Rodrigues. Ou seja, na sua opinião, o saldo do município para com a Rodoviária do Tejo "é perfeitamente normal", existindo um acordo de pagamento que está a ser cumprido.

Miguel Pombeiro, de Vila Nova da Barquinha, disse à agência Lusa que havia já comunicado à empresa que a autarquia pagaria o único mês que tinha em atraso (Dezembro), sublinhando que o valor actualmente em dívida é de 25.713 euros. "Se a empresa tem uma dívida das autarquias que ronda os 10 milhões de euros, a nossa dívida é da ordem dos 0,2% desse valor", disse o autarca, sublinhando que ou a Rodoviária do Tejo "explica os critérios porque escolheu estes seis municípios para fazer este ultimato ou teremos que procurar uma alternativa" à prestação deste serviço. 

Pela parte da Câmara do Cartaxo, o presidente Paulo Varanda reconheceu que a autarquia falhou o plano de pagamento que havia acordado em Novembro, mas sublinhou que em Janeiro foi feito novo acordo, com os pagamentos definidos. Acrescentou que foi "com surpresa" que viu o nome do concelho referido pela Rodoviária do Tejo. Fonte da Câmara Municipal de Almeirim disse à Lusa que a autarquia apenas tem em dívida a factura de Janeiro relativa aos transportes escolares, mas admitiu que possam existir outras verbas respeitantes aos transportes urbanos. "A situação ficará esclarecida na próxima semana", acrescentou.