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O alegado anexo ilegal que o presidente da Câmara de Benavente, Carlos Coutinho, terá construído na sua residência particular em Samora Correia, há cerca de 20 anos, é o motivo que leva os eleitos do PS local a pedir a demissão do autarca.

Em comunicado, a concelhia do PS de Benavente acusa o autarca de ter mentido “em duas reuniões de câmara, quando questionado pelos vereadores Pedro Pereira e Florbela Parracho, dizendo que estava tudo dentro da legalidade”.

Depois de ter garantido que tudo foi feito dentro da legalidade em duas reuniões do executivo realizadas em janeiro, Carlos Coutinho admitiu na passada segunda-feira, 4 de fevereiro, que o anexo em causa foi sendo construído aos fins-de-semana pelo seu pai, que era pedreiro, e que, efetivamente, o mesmo não tem licença de utilização.

Segundo Carlos Coutinho, citado pelo jornal “Público”, os seus pais entregaram na autarquia um projeto para a construção de uma moradia em 1990, tendo, três anos mais tarde, apresentado novo projeto para a construção de um anexo, cuja licença acabou por caducar por falta de construção.

O autarca afirmou ainda que recebeu a moradia por doação em 1997, e que “não tinha consciência” da falta do pedido de licença de utilização.

As explicações de Carlos Coutinho não convenceram os eleitos do PS, que acusam o presidente de continuar “a mentir nas reuniões de câmara e na imprensa, dizendo que foi o pai que tratou de tudo, quando o nome do pai não consta do processo”.

Hoje, o anexo em causa tem 90 metros quadrados, com cozinha e casa de banho, e serve “para salão de festas e petiscos”.

“O processo dos anexos da vivenda do presidente estão em nome do próprio: Carlos Pinto Coutinho”, e “toda a documentação do processo está assinada pelo próprio: Carlos Pinto Coutinho”, garante o comunicado dos socialistas, que se queixam ainda de terem sido obrigados a consultar a documentação na presença de Hélio Justino, ex-presidente da Junta de Freguesia de Samora Correia e atual vereador da CDU com o pelouro das obras particulares.

O PS acusa também Hélio Justino de ser o “advogado de defesa do presidente nesta trapalhada de ilegalidades”, acrescentando que a vistoria dos técnicos da autarquia à moradia de Carlos Coutinho “foi acompanhada do vereador das obras particulares, caso inédito, porque nunca tal acontece em casos de outros cidadãos”.

No mesmo comunicado de imprensa, a concelhia socialista local afirma ainda que “o executivo CDU tudo fez para negar e esconder a verdade dos factos” e termina exigindo “a demissão do presidente e o apuramento de responsabilidades políticas do vereador das obras particulares, que foi cúmplice a mando” de Carlos Coutinho.