A dívida da Câmara de Santarém já ultrapassou os 100 milhões de euros. A garantia é da concelhia do PS da capital do distrito, que esta segunda-feira traçou um quadro negro da gestão do PSD à frente do município scalabitano.

Os socialistas contrariam assim os dados avançados pelo próprio presidente da autarquia que, na Assembleia Municipal realizada no final de Fevereiro, referiu que a dívida estava nos 99 milhões de euros, tendo subido 17 milhões desde Dezembro devido, sobretudo, à inscrição dos 16 milhões de euros da compra ao Estado das instalações da antiga Escola Prática de Cavalaria.

Em conferência de imprensa, o presidente da concelhia do PS de Santarém, Carlos Nestal, justifica a afirmação de que a dívida é superior aos 100 milhões com o facto de haver um considerável número de serviços já prestados à autarquia por fornecedores externos, que no entanto não emitiram as faturas para evitar o pagamento de IVA. Idália Salvador Serrão, comissária política da concelhia, diz que, para já não é possível saber com exatidão o montante em causa, o que só acontecerá quando os números forem “apresentados objetivamente”

Nesta análise às contas da câmara, os socialistas dizem também que o cenário só não é pior devido à antecipação de receitas do contrato de renda da EDP, que permitiu um encaixe de 20 milhões de euros.

Após terem tido acesso ao anuário financeiro das autarquias, referente ao ano de 2010, os socialistas de Santarém destacam sobretudo o quadro referente ao passível exigido, que, de 2006 para 2010 aumentou 58,9% em Santarém, contra 24% de média no país. “Isto não tem só a ver com o estado do país, como diz o presidente Moita Flores, uma vez que Santarém subiu a dívida mais do dobro da média nacional”, referiu Carlos Nestal, afirmando que o município precisa de proceder “brevemente e com urgência” ao seu saneamento financeiro