A maioria socialista na Assembleia Municipal do Cartaxo rejeitou a proposta do PSD para a realização de uma auditoria externa às contas da Câmara Municipal do Cartaxo. Num gesto pouco visto, a proposta social democrata contou com os votos favoráveis da CDU e do Bloco de Esquerda (os três partidos totalizaram 12 votos) mas, mesmo assim, foi derrotada pelos 16 votos do PS.

O documento apresentado pelo PSD aponta uma câmara “falida”, em que “as receitas não chegam sequer para custear os compromissos correntes” e defende, por isso, a necessidade de clarificar a situação financeira, nomeadamente no que respeita às dívidas. Entre os casos apontados pelos sociais democratas, já referidos anteriormente numa reunião de câmara, onde um documento idêntico também foi recusado pelo PS, está a dívida de 980 mil euros à Resiurb, os 600 mil euros em dívida à Rodoviária do Tejo, e os inúmeros processos judiciais em curso em que, só num deles, foi reconhecida uma dívida à ACORIL que ultrapassa os 590 mil euros.

No mesmo documento, o PSD estima que a Câmara do Cartaxo teha uma dívida de curto prazo na ordem dos 18 milhões de euros, e salienta também os sucessivos incumprimentos nos protocolos para associações e colectividades do concelho.

Para recusar a auditoria, o PS justificou-se com os custos que a mesma teria e com o facto da Inspeção-Geral da Administração Local ir ela própria inspecionar as contas do município. Argumentos que não convenceram a oposição que recorda que a IGAL analisa apenas procedimentos administrativos e não a situação económica e financeira dos municípios.