LILY NÓBREGA, Sindicalista

Comemoramos mais um aniversário do Dia da Liberdade num tempo marcado pela intensificação da furiosa ofensiva contra Abril e as suas conquistas.

A Revolução de Abril foi o momento mais luminoso da história de Portugal. Tempo de alegria colectiva, de povo nas ruas a despedaçar algemas e mordaças, a conquistar a liberdade, exercendo-a, e conferindo-lhe o seu verdadeiro e amplo significado, juntando-lhe os direitos que a distinguem da falsa liberdade burguesa. Tempo de afirmação entusiástica e consciente da defesa do interesse nacional – que é o interesse dos trabalhadores e do povo no quadro da independência e da soberania de Portugal. Tempo de início da construção de um tempo novo, de justiça social, de direitos humanos reconhecidos, de paz e solidariedade com todos os países e povos do mundo. Tempo da construção da mais avançada democracia alguma vez existente em Portugal: uma democracia económica, social, política, cultural e com uma determinante componente participativa – que viria a ser consagrada na Constituição de Abril, aprovada em 2 de Abril de 1976.

A Revolução de Abril foi liberdade; foi direito ao trabalho com direitos; foi direito à Saúde, direito ao Ensino, direito à Segurança Social; foi a experiência histórica da terra entregue a quem a trabalhava e dos sectores estratégicos fundamentais da economia colocados ao serviço do povo e do País; foi a construção do Poder Local Democrático; foi o fim da guerra colonial, libertando outros povos do jugo colonial e simultaneamente libertando Portugal; foi o fim do isolamento internacional do nosso País…

E se é verdade que as famigeradas troikas já destruíram parte grande dessas conquistas de Abril, mais verdade é que Abril continua vivo e a apontar para o futuro do Portugal pelo qual lutamos, com a certeza de que «Abril, os seus valores, as suas conquistas e transformações hão-de fazer parte do nosso devir colectivo».

Assim, a luta contra a política de afundamento nacional das troikas é uma luta por Abril – e é, por isso, uma luta que, com coragem, determinação e confiança, venceremos. Sempre com a consciência de que é pela luta que lá vamos.

Lutando, com confiança, derrubámos o fascismo e conquistámos Abril.

Lutando, com confiança, derrotaremos a política das troikas e daremos voz aos valores de Abril no futuro de Portugal.

(In "Avante")

 

Zeca Afonso, Grândola Vila Morena

 

Lily Nóbrega,

Sindicalista