ANDRÉ LOPES, Jornalista e Bloguer

Ao que parece, a possível fusão dos dois Politécnicos do distrito de Santarém ficou esquecida num passado longínquo.

Num momento de contenção orçamental e alteração do paradigma da formação no pós-Bolonha, parece ser natural fundir os estabelecimentos, reaproveitando os recursos que ambos podem oferecer. O Ensino Superior fica a ganhar com a junção: duas escolas unidas aproveitam a potencial uma da outra e juntas podem chegar mais longe.

Por mais um ano consecutivo, a primeira fase de colocação no Ensino Superior fez tocar o sinal de alarme. Os dois politécnicos do distrito estiveram longe de atingir os objectivos: em 610 vagas, nas escolas de Tomar, entraram pouco mais de uma centena e meia de estudantes, enquanto nas escolas de Santarém, que disponibilizava cerca de 1090 vagas nos vários cursos, foi escolhido por cerca de 457 alunos.

Já na segunda e terceira fases de colocação, o Instituto Politécnico de Tomar foi o que teve menos vagas ocupadas.

As medidas políticas que conduziram à actual crise demográfica, com a diminuição do número de alunos devido à baixa natalidade, o desinvestimento nas regiões do interior, a fraca capacidade de atracção das pequenas e médias cidades, a existência de cursos improfícuos e repetidos em espaços geográficos pequenos e próximos, conduziram os politécnicos do interior a uma situação insustentável. A juntar e estes factores estão os maus resultados nos exames nacionais, as alterações nas regras de acesso e a baixas perspectivas de empregabilidade.

Ano após ano, os dados lamentáveis para os dois politécnicos terão tendência a piorar devido à estrutura demográfica do país e também à ausência de um planeamento territorial das medidas políticas e sociais.

O distrito de Santarém é o único do país que tem dois politécnicos, sendo que Abrantes e Rio Maior possuem extensões do politécnico de Tomar e Santarém, respectivamente. 

Contudo, o panorama não é muito diferente da generalidade dos politécnicos do interior e até de alguns de distritos litorais. Beja, Bragança, Castelo Branco, Guarda, Portalegre são exemplos de politécnicos que têm de passar a ser criativos e adaptar a oferta formativa se quiserem subsistir.

O que está a salvar estes estabelecimentos de ensino é que as escolas contam com outros públicos que concorrem fora do concurso nacional, como é o caso do acesso a “maiores de 23”, os estudantes que vêm dos cursos de especialização tecnológica (CET´s) e até os estrangeiros. ´

Este é um tema complexo que não deve ser abordado numa simples lógica dualista de "concorda" ou "não concorda". Unem-se as escolas, e forma-se apenas uma? Extingue-se um politécnico, e mantém-se um? Se assim for, os pólos de Abrantes e Rio Maior extinguir-se-ão? Adaptar-se-ão aos novos tempos? Muitas perguntas ficam sem resposta, mas algo terá de ser feito antes que o seja tarde demais.

André Lopes

Bloguer e jornalista