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ANDRÉ LOPES, Jornalista e blogger

O desemprego jovem voltou a crescer e está agora nos 36,6%, segundo o Eurostat, mais de oito pontos percentuais em relação ao ano transacto.

Este facto pode limitar o futuro e o desenvolvimento do país, visto que nestes números e nesta realidade flagelada estão jovens até aos 25 anos. Tenho a noção de que a minha geração, a que saiu há poucos anos da Universidade, está bem preparada para o futuro, para o mundo global. Falamos várias línguas, temos internet e ligamo-nos ao mundo. E temos licenciaturas, mestrados, pós-graduações e doutoramentos. Passamos quase metade da vida a estudar. Estudamos fora.

Muitos emigram, como sugeriu o Ministro Miguel Relvas, mas não acredito nesta teoria, a de emigrar. Se por cá o “coiso”, como chamou outro ministro, Álvaro Santos Pereira, ao referir-se ao desemprego, está em valores nunca antes atingidos, por outros países, mesmo fora da Europa, o “coiso” não está muito melhor.

Christine Lagarde, directora do FMI, veio dizer que “actualmente, 200 milhões de pessoas não conseguem encontrar emprego em todo o mundo, incluindo 75 milhões de jovens”. Mesmo emigrando, os jovens sujeitam-se a situações de trabalho precárias, onde predomina a escravidão, o trabalho de mais de 12 horas rende um ordenado mínimo. Mas o que se espera de um jovem de 25 anos é que seja empreendedor, activo, dinâmico, cheio de força de vontade para dominar o mundo.

Andamos todos à procura de uma boa ideia que dê um bom negócio. Mas o mais provável é que não dê em nada. Uma boa ideia pode conseguir apoio comunitário, financiamento de empresários altruístas.

Mais uma vez a estatística refere que em 2011, só 0,5% dos desempregados arriscou criar o próprio emprego, o que significa que quase todos ficaram paralisados na sua zona de conforto, se é que existe esta zona de conforto.

Um dia, quem sabe, havemos, nós jovens, de salvar o mundo. Mas para já é tempo de não haver dinheiro para nada, nem para jovens nem para velhos, só para financiar a empresa amiga do ministro. Para já não temos emprego, não sabemos o que é um contrato. Não temos cunhas, não conseguimos vingar no mundo profissional.

Por mais valor que nos atribuam, por mais qualidades “profissionais” que tenhamos não conseguiremos ir a lado nenhum. Mas ninguém nos explica onde colocar no Curriculum Vitae a mágoa e a frustração de ter nascido neste país que não trata bem os jovens. 

André Lopes,

Jornalista e blogger



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