chamusca-celia-barrocabanner festas

A Entidade Reguladora da Saúde (ERS) recomenda ao Hospital Distrital de Santarém (HDS) que adote medidas para prevenir a ocorrência de quedas naquele estabelecimento de saúde, assegurando a existência de zonas específicas para doentes de elevado risco de queda e agitação.

A recomendação surge após a ERS analisar as notícias sobre o caso da Mulher de 64 anos em estado grave após cair de uma janela do Hospital, que a Rede Regional avançou em primeira mão a 14 junho deste ano, em que a doente, internada no serviço de Psiquiatria, sofreu ferimentos graves após cair de uma janela do primeiro andar.

A mulher dera entrada no serviço de urgência no dia anterior por tentativa de suicídio com faca e com saco, apresentava alterações comportamentais em contexto de síndrome demencial, mas, segundo a ERS, apesar disto, "o HDS admitiu ter retirado a imobilização à utente, deixando-a a aguardar um duche livre, para cuidar da sua higiene pessoal".

A entidade reguladora conclui que "o prestador [HDS] não acautelou o devido acompanhamento da utente, durante todo o período de internamento, garantido uma permanente e efetiva monitorização da mesma, apta a garantir o cumprimento do dever de prestação de cuidados de saúde de qualidade e com segurança, imposto ao prestador".

Na resposta o hospital confirma que a mulher esteve inicialmente imobilizada na cama mas que na altura "apresentava-se calma, aparentemente orientada no tempo e no espaço", pelo que o seu pedido para se levantar e ir à casa de banho foi autorizado.

Só que, pouco depois das 8h00, no início da passagem de turno, e na sequência do médico assistente da doente a ter procurado, uma enfermeira viu um chinelo no parapeito da janela da sala de enfermagem e, por esta se encontrar encostada, foi logo colocada a hipótese da doente ter saltado pela mesma, o que se viria a confirmar, tendo sido acionado o 112.

A doente encontrava-se na junção de duas partes do telhado, em zona mais baixa ao mesmo e que integra um corredor estreito onde também se situam torre de arrefecimento, chaminés e tubos vários. Viria a ser retirada pelos bombeiros pouco depois.

A investigação entretanto efetuada concluiu que o acesso da doente àquela sala só foi possível pelo facto de naquele momento não se encontrar fechada à chave, contrariamente ao que é hábito acontecer, não só por questões de segurança geral como também pelo acto em presença, apesar da dimensão da janela ser reduzida.

 

IDOSO CAIU DE MACA

Mas este não foi o único caso em que o protocolo do HDS quanto aos procedimentos de prevenção e de avaliação do risco de queda foi colocado em causa. Uma outra situação, ocorrida em 28 de setembro de 2017, terminou com a queda de um idoso de uma maca.

Segundo a queixa do filho do utente, o pai, doente oncológico transportado ao hospital pelos bombeiros, ficou internado no Serviço de Urgência durante a noite para o dia seguinte. Estava consciente mas sob efeitos do tratamento da quimioterapia, tendo ficado numa maca no corredor sem vigilância e caído da mesma sem que ninguém se tenha apercebido.

O hospital respondeu que "o doente foi visto de pé junto à maca, sem qualquer outro aparato nem sinais de acidente, o que não excluía a hipótese de queda", facto confirmado pelo perito consultado pela ERS.

Ainda assim, a entidade reguladora exorta o HDS a "adotar e/ou rever medidas e/ou procedimentos internos, com o objetivo de garantir a qualidade e a segurança dos cuidados de saúde prestados, designada, mas não limitadamente, medidas e/ou procedimentos de avaliação do risco de queda dos utentes e de prevenção da ocorrência desse incidente".

Simulacro da Proteção Civil no Entroncamento - Fotos: José Neves