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Cerca de duas dezenas de moradores e empresários do centro histórico de Santarém estiveram esta segunda-feira, 4 de fevereiro, na reunião do executivo municipal de Santarém para manifestar a sua preocupação com alguma degradação de vários espaços e, sobretudo, pelo aumento da insegurança.

Há muito que os moradores se dizem preocupados mas o rastilho para esta união aconteceu com o caso recente da cidadã brasileira de 48 anos assassinada a 27 de janeiro num prédio da Travessa das Frigideiras, justamente no centro histórico de Santarém.

João Fonseca, que mora três portas depois do local do homicídio, deu voz ao grupo de moradores, que começou por se juntar através de um grupo na rede social WhatsApp e que em menos de 24 horas ultrapassou a centena de membros, estando atualmente a ser equacionada a reativação de uma antiga associação de moradores do centro histórico.

Além do caso do homicídio, os moradores referiram ainda situações de tentativas de violação, assaltos e roubos de viaturas e uma sensação generalizada de insegurança, potenciada, entre outras razões, pela falta de iluminação em algumas zonas do centro histórico.

Uma outra moradora, residente no Largo de Mem Ramires, numa das saídas do centro histórico da cidade, deu conta de vários casos de falta de higiene, com sujidade vária e mesmo dejetos humanos na rua sem que as autoridades nada façam para acabar com a situação. "A nossa paciência está a acabar", disse a moradora, relatando que, numa ocasião, chegou a encontrar uma jovem a vomitar na entrada da garagem do prédio.

 

COMERCIANTES TAMBÉM TÊM QUEIXAS

Além dos moradores, também os comerciantes têm queixas a apresentar. Teresa Marques, empresária com estabelecimento de Alojamento Local no centro histórico, queixou-se da falta de higiene das ruas e do barulho provocado por um bar situado no conhecido "Largo da Caravana", na rua Capelo e Ivens.

Segundo disse, o estabelecimento, que definiu como "muito mal frequentado", tem licença até às 2 da manhã mas tem uma explanada onde os clientes fazem barulho até bem tarde, prejudicando quem quer descansar.

"Já tive duas reclamações por causa do barulho e perdi uma reserva de dois meses", disse a empresária que fala num cenário "de muita bebedeira e garrafas partidas".

Filomena Canavarro, responsável por uma farmácia na rua Capelo e Ivens, na qual trabalha há cerca de 25 anos, diz que nunca se sentiu tão insegura, o que motivou a que atualmente feche as portas às 19h00. Criticou ainda as obras feitas por empresas de eletricidade e telecomunicações, que destroem partes de ruas e passeios e que depois não repõem o pavimento em boas condições.

 

CÂMARA PROMETE 7 MILHÕES ATÉ 2021

Na resposta às várias críticas deixadas por moradores e comerciantes, o presidente da autarquia, Ricardo Gonçalves, deu conta que os números das forças policiais, nomeadamente da PSP, refletem, ao contrário do sentimento generalizado, um decréscimo da criminalidade.

"A degradação dos centros históricos é evidente e generalizada em todo o país mas em Santarém as coisas estão a mudar", disse o autarca, referindo que há vários projetos, públicos e privados, que prometem dar uma nova cara a alguns dos espaços.

No caso do investimento público, Ricardo Gonçalves revelou que até final de 2021 estão previstos projetos na ordem dos 7 milhões de euros para regeneração urbana e melhoria das acessibilidades de várias ruas e largos e anunciou até que, em breve, se vão notar "dores de crescimento" devido ao elevado número de obras a realizar.

O presidente deu ainda conta da construção de um "grande hostel" na Praceta Visconde Serra do Pilar (Largo de Marvila) para concluir que "vão ser 2/3 anos se muita obra", com intervenções faseadas para minorar constrangimentos a nível da circulação.

Simulacro da Proteção Civil no Entroncamento - Fotos: José Neves