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ARMÉNIO GOMES, Economista

Foi em Rochdale (antigo subúrbio de Manchester), Inglaterra, que, em 1844, se fundou o empreendimento tido como o marco histórico formal de referência do início do cooperativismo. O pensamento associativista e a prática cooperativa desenvolveram-se como alternativas tanto ao individualismo liberal quanto ao socialismo centralizado.

O dia internacional do cooperativismo assinala-se no próximo dia 4 de Julho. Muitos são os que desdenham do cooperativismo, talvez por não compreenderem a sua essência, mas vejamos os casos de cooperativismo no setor financeiro.

No setor financeiro português o cooperativismo surgiu para proteger os seus membros onde a Natureza acarreta maior risco na atividade do Homem. No setor das pescas surgiu para salvaguardar os riscos da turbulência do mar e proteger as famílias dos pescadores. Na agricultura onde a incerteza do clima: secas e intempéries, trazem maiores riscos ao investimento feito pelos agricultores nas suas searas e plantações, surgiram as cooperativas de Crédito: Crédito Agrícola, cobrando juros mais reduzidos face ao risco a que os agricultores estão expostos.

No Ribatejo temos entre nós várias cooperativas Caixa de Crédito Agrícola, sendo esta fiel aos princípios do Cooperativismo proclamados pela Aliança Cooperativa Internacional e em especial no interesse pela Comunidade Envolvente sendo um exemplo louvável de boas práticas de Responsabilidade Social: quer ao nível ecológico (com o apoio ao Município de Santarém na plantação de árvores); ao nível social (apoio na aquisição de cadeira de rodas especial em Alcanhões); ao nível da Educação (com o patrocínio de prémios de mérito escolar no Vale de Santarém); nível cultural (com vários patrocínios aos Ranchos Folclóricos da nossa região).

Para além de tudo isto, são também bons exemplos de boa gestão das poupanças dos seus clientes e sócios. São bancos sólidos com rácios de solvabilidade acima da maioria dos bancos e com uma taxa de crédito mal parado pouco acima dos 6%: tudo isto lhes permitiu não ter de recorrer aos dinheiros da Troika para se equilibrarem, ao contrário da maioria dos bancos.

Celebrar o cooperativismo é, assim, lembrar que existe um caminho alternativo ao do individualismo. Se vivemos em sociedade, é nosso dever cooperar com os demais para podermos enfrentar os desafios que se apresentam nestes tempos de crise.

Arménio Gomes, Economista

Simulacro da Proteção Civil no Entroncamento - Fotos: José Neves