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Economia

O encerramento da Tegael vai provocar um “descalabro social e económico” em Coruche, segundo a Câmara Municipal, que pede ao Ministério da Economia e da Inovação para, em conjunto com a administração da empresa de telecomunicações, gás e electricidade, “encontre uma solução que não seja o encerramento ou a deslocalização”.

Esta foi a posição tomada pela autarquia na última reunião de Câmara, onde os eleitos aprovaram uma declaração que vai ser agora remetida, entre outras entidades, ao governo e à administração da Tegael, a quem o executivo municipal pretende dar conta do seu “descontentamento” acerca da decisão de cessar a actividade.

A Câmara de Coruche diz-se ainda “solidária” com os trabalhadores “neste conturbado momento” e diz-se disposta a “desenvolver todos os contactos institucionais, nomeadamente com o gabinete do primeiro-ministro, presidente da República e Assembleia da República, para impedir o fim da actividade da empresa”,que está sedeada no concelho há 30 anos, sendo o maior empregador privado.

O documento sublinha que, mesmo que se compreenda a “necessidade de uma reestruturação”, é “inconcebível” o seu encerramento, tratando-se de uma empresa que opera em mercados como a Irlanda, Escócia, Inglaterra, Marrocos, África do Sul, Angola e Brasil.

 

PS aponta o dedo à Caixa Geral de Depósitos, à EDP e à PT

“Qual vai ser o papel da Caixa Geral de Depósitos no apoio às PME´s que se encontram em dificuldades, como a Tegael? Vai continuar a não financiar estas empresas?”, questionam os deputados do PS eleitos pelo círculo de Santarém. Numa pergunta dirigida ao ministro da Economia, entregue na Assembleia da República esta semana, os socialistas lembram que a recusa do banco do Estado em conceder um empréstimo de 500 mil euros foi uma das razões que a empresa, a atravessar um processo de reestruturação, invocou para cessar a sua actividade. António Serrano, Idália Serrão e João Galamba querem ainda saber se o governo “está disponível para criar algum mecanismo de suporte a projectos de reestruturação de empresas que possuam negócio e encomendas, de forma a manter o emprego”.

Os deputados do PS denunciam ainda no documento que a Tegael “se tem confrontado com abuso contratual por parte dos seus grandes clientes, como sejam a EDP e a PT, que esmagam margens, atrasam pagamentos, alteram as regras sem ter em conta a viabilidade de toda a cadeia de valor no negócio em causa”. Neste sentido, perguntam também se a tutela “disponível para impedir a atitude de abuso contratual e de posição dominante das grandes empresas em Portugal, que contribuem para a falência de muitas PME´s”, e questionam se o ministério dirigido por Álvaro Santos Pereira está interessado em promover “regras de comércio e prestação de serviços mais justas ao longo de toda a cadeia de valor”.

 

PSD quer gabinete de apoio aos trabalhadores

A comissão política concelhia do PSD de Coruche sugere à Câmara Municipal que “crie um gabinete de apoio aos funcionários da Tegael, que vivem um momento de incertezas”. O gabinete serviria para fazer um levantamento das dificuldades de cada família e procurar soluções futuras de emprego, uma vez que o encerramento resultará em “mais desemprego e precariedade”.



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