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O ex-comandante dos Bombeiros Voluntários de Salvaterra de Magos, Paulo Dionísio, que se demitiu em janeiro deste ano na sequência de um período muito conturbado na vida da corporação e na relação entre o comando e a direção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Salvaterra de Magos (AHBVSM), apresentou-se no quartel esta terça-feira, 18 de setembro, para reassumir o cargo que exercia.

Munido de uma decisão do Tribunal da Relação de Évora de 13 de setembro, que, em seu entender, lhe dá razão e lhe confere o direito à reintegração, sem perda de categoria profissional (Comandante), Paulo Dionísio apresentou-se ao trabalho cerca das 9h00 da manhã, tendo no entanto sido informado que teria de aguardar no exterior.

Em declarações à Rede Regional, Paulo Dionísio explicou que após contactos entre os advogados de ambas as parte, aceitou um pedido da direção para aguardar "dois ou três dias", tempo para os responsáveis da AHBVSM contactarem a Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) e esclarecerem o que devem fazer. É que, com esta decisão do tribunal, a corporação passa a ter dois comandantes - Paulo Dionísio, agora reintegrado, e Lurdes Fonseca, nomeada após a sua saída, em janeiro deste ano.

Contactado pela Rede Regional, o presidente da AHBVSM, João Silva, considera que o assunto não está decidido e garante que a direção vai recorrer desta decisão. "O Sr. Paulo Dionísio pediu a demissão do cargo de comandante. Se há demissão como haver reintegração?", questiona o dirigente.

João Silva recorda que Paulo Dionísio foi desnomeado pelo Comandante Distrital e pela Autoridade Nacional de Proteção Civil, que, dias depois, nomearam uma nova comandante (Lurdes Fonseca), pelo que questiona se essas nomeações terão sido ilegais.

João Silva e Lurdes Fonseca, presidente da direção e comandante dos Bombeiros Voluntários de Salvaterra de Magos."As pessoas pensem um bocadinho. Se ele foi contratado como comandante, não foi como bombeiro, se há uma desnomeação e uma nomeação de um novo comandante, como é que ele pode exercer o cargo?", interroga-se.

O presidente da AHBVSM diz que a direção não tem dúvidas de que a razão está do seu lado e vai aguardar, com calma, o desenvolvimento do processo. "Vamos recorrer até nos darem razão... ou não. Nós achamos que temos a razão no nosso lado, o Sr. acha que tem do lado dele. Então há aqui uma decisão que alguém tem de tomar", analisa, deixando o assunto nas mãos do tribunal. "Enquanto tivermos hipóteses vamos recorrer", reafirma.

Paulo Dionísio reclama cerca de 30 mil euros

Paulo Dionísio garante que a decisão já não é passível de recurso e que está inclusivamente em condições de poder penhorar as contas da instituição para receber os cerca de 30 mil euros a que tem direito, entre salários e juros de mora.

"Não quero entrar em confronto com ninguém mas tenho 3 filhos para criar e tenho de zelar pelos meus direitos", disse Paulo Dionísio ao nosso jornal, lembrando que está sem trabalhar e sem receber desde janeiro, avançando que só conseguiu ultrapassar este período sem rendimentos e com despesas acrescidas com advogados porque tinha a sua vida financeira organizada.

"Podia penhorar as contas mas sei que as pessoas que lá trabalham também têm filhos, pelo que vou esperar pelo prazo de 2-3 dias que pediram", concluiu.

Sobre o processo, Paulo Dionísio admite que chegou a manifestar intenção de se demitir mas diz que nunca o fez oficialmente, o que coloca em causa o argumento da direção que terá sido ele a demitir-se, uma opinião confirmada por duas decisões do tribunal.

Simulacro da Proteção Civil no Entroncamento - Fotos: José Neves