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O filho de Palmira Marques morreu inesperadamente em Maio do ano passado, após ter ingerido acidentalmente uma planta venenosa durante uma caminhada com um amigo, quando passavam perto de Alcanhões, concelho de Santarém.

Como se não bastasse o choque pela sua morte, esta mulher, residente em Alpiarça, foi obrigada a pedir dinheiro emprestado para pagar o funeral de Ricardo, que tinha 32 anos.

Isto porque Palmira Marques tem todos os seus bens e contas bancárias penhorados pela Autoridade Tributária e Aduaneira (AT), que lhe instaurou dois processos de execução fiscal por uma alegada falta de pagamento do IRS do marido.

Só que o marido, António Marques, trabalha há mais de 20 anos na Alemanha, país onde tem feito todos os descontos exigidos por lei.

Para evitar chatices, esta contribuinte pagou logo no início do processo, em 2016, cerca de 7 mil euros, mas as Finanças exigem-lhe agora o pagamento de mais 19 mil euros.

“Acho que não tenho de pagar mais nada, porque os descontos foram todos feitos na Alemanha, ou seja, no país onde ele trabalha”, explicou à Rede Regional Palmira Marques, que formalizou junto da AT uma reclamação da dívida.

A reclamação ainda não está decidida, mas entretanto foram chegando as penhoras coercivas à conta bancária onde recebe a reforma por invalidez e até às contas que tinha com a sogra e a filha, impedindo-a de movimentar um tostão.

“Sobrevivo com dinheiro emprestado por familiares” explica Palmira Marques, acrescentando que as Finanças recusam-se a explicar, em concreto, o motivo da dívida.

“Fui sempre maltratada, cada vez que lá fui fazer perguntas. Dizem que eu não tenho nada que lá ir, que as coisas são para resolver com a minha advogada, mas o problema é meu, e não da minha advogada”, conta a mulher.

Contatado pela Rede Regional, o Ministério das Finanças demorou quase duas semanas para responder que não dava quaisquer informações sobre este processo, alegando questões de sigilo fiscal.

Partida em Coruche do Grande Prémio de Ciclismo Abimota - Fotos: João Dinis