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Américo Lopes, um dos dois suspeitos do homicídio do taxista António Pedro, em Torres Novas, vai prestar declarações em sede de julgamento, mas só o fará depois de terem sido ouvidas todas as testemunhas.

Na segunda audiência do julgamento, que decorreu esta segunda-feira, 12 de março, no Tribunal de Santarém, o arguido pediu desculpa ao coletivo de juízes por se ter sentido mal na primeira sessão (o que levou mesmo à sua interrupção) e garantiu que vai falar sobre os factos de que está acusado, mas só após toda a produção de prova.

Já o cúmplice, Luís Peixoto, manifestou intenção de não se querer pronunciar sobre a matéria que está a ser julgada.

Recorde-se que os dois arguidos estão a responder por um total de 20 crimes, entre os quais homicídio qualificado, profanação de cadáver, sequestro, extorsão e roubo qualificado, cometidos no final de abril e início de Maio de 2017, na zona norte do Ribatejo.

Nesta sessão, duas das vítimas ouvidas como testemunhas disseram ainda temer represálias, e explicaram que ficaram psicologicamente afetadas desde que caíram nas mãos desta dupla.

Uma advogada de Almeirim, que foi a primeira vítima de sequestro por parte de Américo Lopes, relatou ao coletivo de juízes os “momentos de terror” que viveu com uma faca apontada à barriga, e ameaçada de morte.

Depois de um primeiro contato telefónico com o arguido, a mulher acedeu a encontrar-se com ele no parque de estacionamento de um restaurante em Tancos, concelho da Barquinha, de onde foi obrigada a conduzir para um local isolado, já sob ameaça de arma branca.

Depois de lhe exigir a entrega do dinheiro que tinha consigo e dos cartões bancários, Américo Lopes ameaçou-a dizendo que lhe tinham pago 25 mil euros para a matar, mas que não o faria caso a advogada lhe transferisse 3 mil euros para uma determinada conta, cujo NIB até lhe forneceu.

O homem acabou por deixar ir a mulher, que nunca lhe pagou qualquer quantia, mas que ficou assustada ao ponto de ter alterado todas as suas rotinas diárias.

“Eu só pensava que isto não me podia estar a acontecer. Cheguei a ficar em pânico”, relatou a vítima ao coletivo, explicando que, a partir deste episódio, passou a viver com medo, a ser mais desconfiada nas relações com clientes e a proteger mais a família, o que lhe tira tempo para os afazeres profissionais.

A mulher que conseguiu resistir e escapar à dupla de assaltantes, quando foi abordada no parque de estacionamento do Pingo Doce de Torres Novas, a 29 de abril de 2017, pediu para prestar declarações na ausência dos arguidos, que abandonaram a sala durante o depoimento.

A vítima disse que não queria que os dois homens a vissem novamente, temendo represálias, e afirmou que também sente-se permanentemente assustada e que passou a ter cuidados redobrados com desconhecidos.

Partida em Coruche do Grande Prémio de Ciclismo Abimota - Fotos: João Dinis