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A sentença do processo judicial que envolveu Gonçalo Neves, o jovem militar de Alpiarça que ficou tetraplégico após um acidente de viação ocorrido em Setembro de 2011, representa meia vitória para a família da vítima, que nunca desistiu de levar o caso à barra dos tribunais.

Na parte criminal, o Tribunal do Cartaxo absolveu o condutor do pesado de mercadorias que abalroou o carro onde seguia Gonçalo Neves, conhecido pela alcunha de “Tofu”, mas, na parte cível, condenou a companhia de seguros do arguido ao pagamento de parte do pedido de indemnização interposto pela família.

Considerando ter ficado provado que houve “presunção de culpa”, o juiz do Tribunal do Cartaxo determinou que a seguradora deverá pagar todos os tratamentos médicos a que “Tofu” foi sujeito, tanto em Portugal como em Espanha, assim como todos os tratamentos futuros que sejam considerados necessários à recuperação de Gonçalo Neves, bem como as obras de adaptação da casa da família.

O juiz deu ainda como procedente a indemnização por danos patrimoniais ao jovem, que tinha 20 anos na altura do acidente, mas não atendeu ao pedido no que se refere aos danos não patrimoniais.

No que se refere à parte do crime, o motorista de pesados, que se encontra a trabalhar no estrangeiro e não assistiu à leitura da sentença, foi absolvido da acusação de um crime de condução perigosa, agravado pelo resultado ofensa à integridade física grave.

Para tomar esta decisão, o juiz considerou que não se conseguiram provar com total exatidão as circunstâncias em que ocorreu o acidente, tendo optado por não condenar o arguido por falta de provas.

No entanto, a sentença contém um tremendo puxão de orelhas à atuação da GNR do Cartaxo, cujo relatório sobre o sinistro é completamente omisso em relação a dados fundamentais para o apuramento da possível culpa do condutor, como a carga e a tara do camião ou a velocidade a que circulava, numa noite que tinha chovido e a estrada estava molhada na zona do acidente, em Vila Chã de Ourique.

O depoimento prestado pelo condutor na primeira sessão do julgamento, em dezembro de 2016, foi também descredibilizado pelo tribunal, que, mesmo assim, seguindo o princípio “in dúbio pro reu”, acabou por optar pela absolvição.

Ouvida pela Rede Regional, a mãe de Gonçalo Neves, Sandra Martins, não esconde que a família não ficou satisfeita com a não condenação do motorista.

“Ainda vamos analisar ponto por ponto a sentença, que é bastante extensa, e logo decidiremos o que fazer”, afirma Sandra Martins, não descartando a hipótese de apresentar recurso desta decisão de 1ª Instância.

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