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A Procuradora do Ministério Público (MP) do Tribunal de Santarém pediu a condenação efetiva de um casal de falsos videntes que terão burlado uma mulher em cerca de 32 mil euros, aproveitando-se de um desgosto amoroso que a vítima tinha sofrido há pouco tempo.

A arguida, Sandra L., de 39 anos, está a responder por um crime de burla qualificada, ao passo que o marido, Filipe P., de 34 anos, está acusado de recetação dolosa, por se ter aproveitado das verbas que ambos extorquiram à queixosa.

Nas alegações finais do processo, que decorreram esta quarta-feira, 19 de abril, o MP salientou que todos os factos constantes do despacho de acusação foram dados como provados durante o julgamento.

O caso remonta a agosto de 2010, quando a vítima, uma mulher de 39 anos residente no concelho da Chamusca, ficou psicologicamente de rastos após ter terminado um relacionamento de oito anos.

Em desespero, a mulher procurou então os serviços da alegada bruxa, que os publicitava em jornais e em sites na Internet.

Para o MP, ficou claro que a arguida e o marido criaram uma “falsa amizade” com a mulher, com o propósito de lhe extorquir o dinheiro que conseguissem em troca da quebra de um suposto bruxedo que levou à separação, de rezas e da celebração de rituais com velas, para que o ex-companheiro regressasse a casa.

Em apenas três meses, e num estado de “colapso emocional”, a vítima entregou cerca de 32 mil euros ao casal de videntes, esgotando as suas economias e o plafond dos seus cartões de crédito, a que se somam outras quantias pedidas aos pais e a amigos.

A arguida tem duas condenações anteriores pelo mesmo tipo de crimes, em processos cujos recursos ainda estão a ser apreciados por tribunais superiores.

Balonismo em Coruche - Fotos João Dinis