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Um empresário de Almeirim e dois nepaleses vão ser julgados no Tribunal de Santarém por 23 crimes de tráfico de pessoas e auxílio à emigração ilegal.

Os arguidos, com idades entre os 20 e os 41 anos, são suspeitos de ter escravizado cidadãos oriundos do Nepal, em situação irregular em Portugal, numa herdade agrícola em Paço dos Negros, concelho de Almeirim, mantendo as vítimas a trabalhar e a residir em condições desumanas.

O caso foi detetado em junho de 2016, numa mega operação do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) na propriedade agrícola do empresário português, a “Herdade dos Morangos”.

Os inspetores da Unidade Anti Tráfico de Pessoas do SEF encontraram 23 nepaleses a coabitar num anexo de três divisões sem cozinha, janelas, eletricidade, água, saneamento básico e o mínimo de condições de habitabilidade.

Durante o tempo que ali permaneceram, as vítimas beberam e tomaram banho com água desviada do sistema de rega dos morangos, entre outras atrocidades descritas no despacho de acusação do Ministério Público (MP), a que a Rede Regional teve acesso.

As vítimas foram recrutadas e colocadas na herdade pelos dois arguidos nepaleses, que estão em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional de Lisboa.

Segundo o MP, aproveitaram-se do facto dos trabalhadores terem chegado a Portugal através de redes internacionais de auxílio à emigração ilegal, e prometeram-lhes contratos de trabalho para regularizar a sua situação, sabendo que os vistos de residência eram impossíveis de emitir.

Do parco salário que lhes pagavam, pouco mais de 500 euros, ainda lhes descontavam uma parte considerável pelos alimentos, que só forneciam uma vez por mês, e pela dormida, mesmo que em condições deploráveis.

Sem documentos e sem dinheiro, as vítimas não tinham como escapar a esta situação de escravidão laboral e dependência perante os arguidos, considera o MP.

Futebol: Jogo Coruchense x Mondenense | Fotos: João Dinis