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Acabou o longo calvário para os dois empresários de Benavente que estavam acusados de tráfico de estupefacientes agravado, branqueamento de capitais e detenção de arma proibida, e que estiveram cerca de ano e meio em prisão preventiva a aguardar julgamento.

O Tribunal de Santarém declarou esta quarta-feira, 11 de janeiro, Humberto Pereira e Manuel Paiva Alves inocentes de todos os crimes, num acórdão que tece duras críticas à atuação dos inspetores da Polícia Judiciária (PJ) que investigaram o caso.

Um empresário brasileiro, Alexandre Saíto, que também era arguido no processo, foi igualmente absolvido.

O caso remonta a 2014, quando uma operação da PJ encontrou cerca de 450 quilos de cocaína escondidos dentro de uma máquina injetora de alumínio, que os dois empresários portugueses tinham encomendado a um fabricante brasileiro, representado por Saíto.

O coletivo de juízes considerou não ter ficado provado que Humberto Pereira e Manuel Paiva Alves eram os destinatários dos estupefacientes, ou que sequer sabiam que a máquina estava a ser usada como correio de droga.

O acórdão refere que os inspetores da PJ montaram uma investigação “sem objetividade” e “direcionada” para suportar as conclusões a que queriam chegar, neste caso, o envolvimento dos dois portugueses num esquema de tráfico internacional.

Ao contrário do que sustentava a acusação do Ministério Público (MP), os arguidos nem sequer foram apanhados em flagrante delito, pois não dispunham de equipamento nem ferramentas para abrir a máquina de 15 toneladas e retirar a cocaína do interior.

Foi a PJ quem abriu o equipamento, com recurso a uma rebarbadora, um procedimento que foi censurado pelo tribunal.

“Mais importante que o tribunal ter considerado que a droga não pertencia a estes arguidos, foi ter dito claramente que as omissões do órgão de polícia criminal foram a principal razão para a sua absolvição”, considerou o advogado Tiago Melo Alves, no final da leitura do acórdão.

Futebol: Jogo Coruchense x Mondenense | Fotos: João Dinis