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A mulher que está acusada de maus tratos ao próprio filho bebé, que deu entrada em coma no Hospital de Santarém com apenas 14 meses, tentou atribuir as culpas ao seu ex-companheiro, que se suicidou em março de 2016.

R. Silva, de 33 anos, começou a responder esta quarta-feira,11 de janeiro, no Tribunal de Santarém, onde as “incoerências” e a “leviandade” do seu depoimento, que durou mais de duas horas, lhe valeram uma tremenda reprimenda por parte do coletivo de juízas que está a julgar o processo.

A arguida relatou que o facto do bebé ter dado entrada no hospital entre a vida e a morte se deveu a uma queda acidental da cama, mas ao ser confrontada com os relatórios médicos que indiciam que a negligência grosseira e os maus tratos já seriam anteriores, a mulher tentou dar a entender que o autor seria o seu ex-companheiro, Ezequiel Oliveira, que se matou há poucos meses, e de quem já estava separada.

A arguida foi confrontada com as fotos onde estão documentadas as dentadas, nódoas negras e hematomas que a criança apresentava, tendo confessado que já as tinha visto quando dava banho à criança, mas que não tinha procurado um médico porque o ex-companheiro lhe dizia que as feridas expostas não era nada de especial.

Recorde-se que este caso remonta a 10 de outubro de 2010, data em que a criança foi transportada ao Serviço de Urgência já em coma profundo e com várias fraturas e lesões na face, entre outras equimoses.

A vida do bebé foi salva graças a craniectomia realizada na UCI pediátrica do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, para onde foi transportado entre a vida e a morte, e onde esteve internada cerca de quatro meses, até janeiro de 2011.

As lágrimas e a versão de R. Silva andaram longe de ter convencido o coletivo de juízas, apesar da mulher ter confessado que era vítima de violência doméstica por parte de Ezequiel Oliveira, e que vivia com medo dele.

Muitos filhos de múltiplos relacionamentos amorosos confusos

Nesta primeira sessão, foi também ouvido o pai do então bebé de 14 meses, que hoje tem seis anos e está institucionalizado, tendo sido afastado da família logo após este caso.

Paulo S. explicou que manteve um relacionamento amoroso com R. Silva durante nove anos, no Entroncamento, e tiveram três filhos, que, à data dos factos, tinham 5 anos, 3 anos e 14 meses.

Em setembro de 2010, R. Silva abandonou Paulo S. e passa a residir na Asseiceira, concelho de Rio Maior, com Ezequiel Oliveira, que conheceu através da Internet, e que também já tinha dois filhos, com 2 e 4 anos, de um relacionamento anterior.

Na altura em que mudou de residência, a arguida estava grávida e deu à luz o seu quarto filho, em fevereiro de 2011, cerca de um mês após a criança maltratada ter saído da pediatria do Hospital de Santa Maria.

Mais informação em:

Mãe reponde em tribunal por maus tratos a bebé

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