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Ao fim de cinco anos e dois meses, com um arquivamento e três adiamentos pelo meio, começou finalmente no Tribunal do Cartaxo o julgamento do acidente de viação que deixou Gonçalo Neves, um jovem militar residente em Alpiarça, em estado vegetativo.

A primeira audiência decorreu na manhã desta segunda-feira, 19 de dezembro, onde foi ouvido, na condição de arguido, o condutor do camião envolvido no acidente ocorrido em setembro de 2011, na Estrada Nacional 3 entre o Vale de Santarém e Vila Chã de Ourique, junto à antiga fábrica da Ipetex.

O motorista de pesados, Pedro Amorim, que na altura trabalhava para os Transportes Florêncio & Silva, SA, está acusado pelo Ministério Público (MP) de um crime de condução perigosa, agravado pelo resultado ofensa à integridade física grave.

Segundo a acusação, o condutor, de 34 anos, seguia em excesso de velocidade no troço de reta que liga Vila Chã ao Alto do Vale e não conseguiu travar a tempo de evitar o embate violento no veículo ligeiro onde seguiam Gonçalo Neves, mais conhecido em Alpiarça por “Tofu”, e um amigo.

O MP acrescenta ainda que o arguido viajava a uma velocidade desadequada às condições de visibilidade, pois era de noite, e de circulação, uma vez que tinha chovido e a estrada estava molhada.

Pedro Amorim optou por falar sobre o acidente, começando por garantir ao tribunal que circulava a uma velocidade inferior a 50 km/h.

Na sua versão dos factos, que explicou com dificuldade e alguns lapsos de memória, o carro das vítimas não só não estava parado na berma da sua faixa de rodagem, como já vinha já em despiste, em sentido contrário (Santarém – Cartaxo), quando se deu o embate.

O condutor disse que não teve tempo de travar para evitar a colisão, mas não conseguiu explicar o porquê, visto dizer que seguia a uma velocidade reduzida, nem a ausência de marcas de arrastamento, num acidente que provocou tantos danos em ambas as viaturas.

O arguido, que foi trabalhar e residir para o estrangeiro após o sinistro, também não conseguiu explicar a misteriosa presença de um agente da PSP, seu amigo e que estava à civil, no local do acidente, antes da chegada dos meios de socorro.

Recorde-se que Gonçalo Neves, que tinha 20 anos aquando do acidente, sofreu um traumatismo crânio encefálico que o deixou num estado vegetativo.

O jovem militar do Exército Português tem vindo a ser seguido em Espanha numa das clínicas mais avançadas do mundo no seu tipo de casos, tudo a expensas da família.

Este caso só chegou a julgamento graças às diligências encetadas pela família, que nunca acreditou nos relatórios da GNR do Cartaxo e das companhias de seguro das viaturas envolvidas.

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