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Os pais de Gonçalo Neves, o jovem militar de Alpiarça que ficou em estado vegetativo após um grave acidente de viação, já não conseguem calar a revolta que os consome.

Cinco anos volvidos após o sinistro, que ocorreu a 1 de setembro de 2011, o caso de “Tofu”, alcunha pela qual é conhecido entre os amigos e familiares, ainda nem sequer começou a ser julgado no Tribunal do Cartaxo.

“É vergonhoso que o julgamento esteja atualmente sem data”, disse à Rede Regional Óscar Neves, o pai do jovem, explicando que o início do julgamento já foi adiado três vezes, e sempre por erros de secretaria ridículos no Tribunal do Cartaxo, como faltas de inclusão de relatórios no processo ou esquecimentos nas notificações às partes envolvidas.

“Nós já não estamos no século XIV nem numa época em que tenhamos que mendigar por justiça. Estes funcionários têm que ser responsabilizados, tal como quem os supervisiona, porque não se admite esta situação”, acrescenta o Óscar Neves.

Gonçalo Neves tinha 20 anos quando um camião colidiu violentamente com o carro em que seguia, em Vila Chã de Ourique, numa noite de trovoada.

O então militar do Exército Português sofreu um traumatismo crânio encefálico que o deixou num estado vegetativo, mas o acidente só chegou à barra dos tribunais graças às diligências encetadas pela família, que nunca acreditou nos relatórios da GNR do Cartaxo e das seguradoras.

“É absurdo que num acidente desta gravidade ninguém tenha salvaguardado determinados elementos de prova para se apurar a verdade”, explica a mãe, Sandra Martins, dando como exemplo o facto da GNR não ter recolhido o tacógrafo ou da empresa proprietária do pesado ter sido notificada 18 vezes para juntar elementos ao processo, sem nunca o ter feito.

O condutor do pesado, que entretanto se ausentou para trabalhar no estrangeiro, acabou por ser acusado do crime de condução perigosa, agravada pelo resultado.

Mas é a família do jovem acidentado que tarda em ver ser feita justiça.

Gonçalo Neves está, neste momento, a ser seguido numa das clínicas mais avançadas do mundo neste tipo de casos, em Santiago de Compostela.

Tal como a Rede Regional já noticiou, os pais mudaram-se entretanto para Espanha, onde acompanham o filho 24 horas por dia.

Óscar e Sandra, que sempre se recusaram a acreditar na irreversibilidade da condição de Gonçalo, garantem que o jovem tem feito progressos que nunca seriam possíveis em Portugal.

Partida em Coruche do Grande Prémio de Ciclismo Abimota - Fotos: João Dinis