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Saúde

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A falta de médicos de família é quase uma doença crónica no Centro de Saúde de Alpiarça, tendo em conta os anos há que o problema já se arrasta.

Esta unidade do Agrupamento de Centro de Saúde (ACES) da Lezíria, que nunca teve o seu quadro clínico totalmente preenchido, tem apenas três profissionais que gerem um ficheiro com mais de 5.600 utentes.

Para os restantes mais de 1.000 utentes que não têm médico de família, sobra-lhes apenas um dia por semana para apanhar uma consulta de recurso com um médico contratado através de uma empresa de prestação de serviços, que presta um número de atendimentos limitado.

A situação anda longe de agradar à população.

“As pessoas que têm doenças mais graves queixam-se sobretudo das dificuldades em arranjar consultas”, disse à Rede Regional Fernanda Garnel, a responsável da comissão de utentes local, sublinhando que se tratam de “doentes que deviam ser acompanhados regulamente, e não o são”.

A questão das receitas médicas é outra das preocupações da comissão, pois “quem pode, vai ao privado e paga; quem não pode, fica sem os medicamentos”, explica Fernanda Garnel.

“Neste momento, se fosse colocado mais um médico a tempo inteiro, o problema estaria praticamente resolvido”, afirma Mário Pereira, o presidente da Câmara, que tem agendada uma reunião com o Secretário de Estado da Saúde esta terça-feira, 31 de janeiro.

A situação atual não está pior graças ao facto de Alpiarça ter sido um dos concelhos pioneiros no acolhimento a médicos de família vindos de Cuba, em 2009.

Já passaram três pela vila, todos do agrado dos utentes, e têm sido estes profissionais a assegurar que não haja uma fatia maior da população sem acesso à medicina familiar.

A médica cubana que atualmente presta serviço no Centro de Saúde de Alpiarça, e que tem um ficheiro com cerca de 2.000 utentes, termina contrato no próximo mês de agosto, o que poderá ser um problema acrescido.

 cms oposicao contra

Pela segunda vez neste mandato, os vereadores da oposição (PS e CDU, que em conjunto têm maioria no executivo) juntaram-se esta segunda-feira, 23 de janeiro, para chumbar um assunto levado a reunião de câmara pelo presidente da autarquia, Ricardo Gonçalves (PSD), neste caso a instalação de um novo hospital privado em Santarém.

Em causa um parecer prévio para a viabilidade de construção de uma nova unidade de saúde privada, pedido pela Fidelidade Property Europe, S.A., ligada ao grupo do Hospital da Luz, que quer construir um hospital no Regueirão, nas Encostas da Carmona, junto ao Retail Park, no local onde anteriormente foi construído um hotel, que nunca chegou a ser terminado e já foi demolido.

Apesar dos pareceres positivos dos técnicos da autarquia, das explicações do diretor do Departamento de Urbanismo, Paulo Cabaço, e das garantias dadas pelo presidente da autarquia e pelo vereador com o pelouro do Urbanismo, Luís Farinha, os 4 eleitos do PS e o vereador da CDU, mantiveram-se intransigentes nas dúvidas que apresentaram e votaram contra o pedido de informação prévia.

Em causa para a oposição está sobretudo o uso do terreno, que o atual Plano Diretor Municipal (PDM) define como sendo destinado a projetos turísticos, o incumprimento de protocolos antigos que deveriam fazer com que a autarquia fosse indemnizada e informações técnicas consideradas “insuficientes e omissas”.

“Entendemos que o investimento é importante para o concelho mas não vemos cumpridos os requisitos mínimos para a sua aprovação”, referiu Sérgio Cardoso (PS), uma opinião reforçada por Francisco Madeira Lopes (CDU) que considera que deviam ser estudadas outras localizações e sugeriu mesmo uma discussão mais formal do assunto.

Na resposta, quer Ricardo Gonçalves, quer Luís Farinha garantiram que todo o processo está legal, tendo o presidente recordado que além dos pareceres positivos dos técnicos da autarquia, também entidades externas como a Administração Regional de Saúde e a Agência Portuguesa do Ambiente nada apontaram à localização e à viabilização do projeto.

“Isto [dúvidas da oposição] é só querer arranjar problemas”, disse Luís Farinha, tendo Ricardo Gonçalves acrescentado que a oposição ficaria responsável por estar a chumbar um investimento muito importante e mais uma valência que iria trazer mais postos de trabalho.

Numa intervenção demorada, o diretor do Urbanismo historiou o processo e garantiu que tratando-se de espaço verde de enquadramento, não tinha dúvidas que a autarquia poderia avalizar positivamente o pedido de informação prévia da Fidelidade Property Europe, S.A.. Paulo Cabaço recordou mesmo o exemplo do atual Complexo Aquático do Jardim de Cima, que foi construído num local para o qual estava previsto um cemitério.

O técnico explicou que esteve envolvido diretamente na negociação da demolição do esqueleto do antigo hotel, afirmando que a autarquia tentou várias ações mas chegou à conclusão que avançar para tribunal seria adiar o assunto por mais de 10 anos com o “mamarracho” a manter-se no local.

O vereador socialista Celso Braz, que também é arquiteto e mestre em Planeamento Regional e Urbano, afirmou ter uma interpretação diferente da lei e que, por precaução, a autarquia deveria adiar um parecer definitivo até à alteração do PDM, prevista para daqui a cerca de 6 meses, podendo o promotor avançar com o projeto técnico.

Luís Farinha recordou que a aprovação do PDM não depende apenas da autarquia e acrescentou que se o promotor não tiver o parecer prévio positivo não faz o projeto porque quem faz investimentos não avança sem ter as garantias que a obra poderá avançar.

A discussão, que demorou mais de uma hora, terminou com os 5 votos contra da oposição (4 do PS e 1 da CDU) e 4 a favor do PSD.

Ricardo Gonçalves garantiu que vai voltar a levar o assunto a reunião de câmara e responsabilizou a oposição por uma eventual desistência do promotor do projeto.

 

 O negócio estranho e o hotel das 1001 noites

 Durante a discussão deste ponto da ordem de trabalhos, PS e PSD trocaram várias acusações com os socialistas a apontarem o negócio ruinoso de 2007, com uma duvidosa sequência de 2 escrituras no dia 27 de setembro desse ano, uma, de manhã, no valor de 900 mil euros, e outra, à tarde, no valor de 2 milhões, lançando suspeitas de eventual gestão danosa.

Na resposta o PSD recordou que o processo é bem anterior a esse ano e que o espaço chegou a ser conhecido como o Hotel das 1001 noites, que foi motivo de chacota para a autarquia durante vários anos da gestão socialista.

Recorde-se que a autorização de construção do hotel foi dada à empresa Ivo Hotéis no início da década de 90, ainda durante a presidência de Ladislau Teles Botas (PS). No entanto, nas duas décadas seguintes, o projeto nunca foi terminado, apesar do espaço ter tido vários proprietários e dos processos colocados pela autarquia em tribunal a solicitar a reversão do terreno para sua posse por incumprimento do acordo inicial que estabelecia que a câmara teria direito a duas mil dormidas.

Em 2007, a autarquia, gerida por Moita Flores (PSD) abdicou da reversão a troco de 900 mil euros, viabilizando a venda do imóvel da Ivo Hotéis à Hagen Imobiliária, tendo a demolição do “esqueleto” do hotel avançado apenas em novembro de 2013.

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A Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) anunciou esta quinta-feira, 12 de janeiro, a construção de dez novas Unidades de Saúde Familiar (USF) e 22 novos centros de saúde, entre os quais 4 no distrito de Santarém.

Os quatro centros de saúde a construir na região, que deverão ficar concluídas até final de 2018, ficarão na Chamusca, Ourém, Rossio ao Sul do Tejo (Abrantes) e Torres Novas.

Durante o corrente ano vai também ser elaborado o projeto de execução do novo centro de saúde de Samora Correia, no concelho de Benavente.

Em 2017, a ARSLVT pretende igualmente aumentar a cobertura da população com médico de família, reforçar as consultas de médico-dentista nos centros de saúde, alargar os rastreios de saúde de base populacional iniciados em 2016, e lançar novos programas, nomeadamente de rastreio dos cancros da mama, cólon e reto e colo do útero.

Outros dos objetivos é o de prosseguir a dotação dos centros de saúde da região com meios complementares de diagnóstico e terapêutica, designadamente radiologia, eletrocardiograma, análises clínicas, espirometria e retinografia.

Carnaval Samora Correia - Fotos João Dinis

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