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Saúde

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A Unidade de Saúde Familiar (USF) de Samora Correia, no concelho de Benavente, não tem água quente sanitária nas salas de tratamento, o que obriga os utentes a terem de levar água quente de casa para que, por exemplo, lhes façam uma simples lavagem aos ouvidos.

A situação, que segundo a Rede Regional apurou já se verifica há mais de dois anos, é recorrente, e há mesmo quem vá ao café em frente comprar uma garrafa de água e peça para aquecer, regressando depois à unidade de saúde para que os médicos ou enfermeiros possam fazer o referido ato médico.

Carla Costa, proprietária do Café Sol Nascente, que fica mesmo em frente à USF, na Praceta Padre Camilo, já não estranha os pedidos de água quente e diz mesmo que a sua própria mãe já, por duas vezes, teve de levar água quente para fazer lavagens aos ouvidos.

Questionada pela Rede Regional, a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) esclarece que “a Unidade de Saúde Familiar de Samora Correia não tem água quente sanitária nas salas de tratamento por avaria da caldeira”.

Ainda em resposta às questões colocadas pelo nosso jornal, a ARSLVT garante que “está a ser providenciada a colocação de termoacumuladores individuais nas salas de tratamento, os quais se prevê que fiquem instalados ainda no primeiro trimestre de 2017”.

A USF de Samora Correia serve uma população de cerca de 20 mil pessoas e tem mais de 17 mil utentes inscritos.

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Os deputados do PSD eleitos pelo círculo de Santarém querem a contratação direta de médicos através de contratos de prestação de serviços para os centros de saúde do Sardoal, Torres Novas e Ourém, os concelhos do distrito onde há mais falta de profissionais.

Segundo Duarte Marques, “há uma necessidade muito urgente de resolver o problema do curto prazo”, pelo que não deve haver preconceitos em “recorrer à contratação direta de médicos disponíveis para estes concelhos”, ao invés da contratação feita através de empresas de trabalho temporário.

Os eleitos social-democratas propuseram também que o Ministério da Saúde deve avaliar a possibilidade já avançada pelo presidente de Câmara do Sardoal, Miguel Borges, acerca da criação de uma Unidade de Saúde Familiar que sirva os utentes do concelho do Sardoal e de parte do concelho de Abrantes.

“A boa experiência da primeira USF já criada no concelho de Abrantes, à semelhança do que aconteceu no resto do país, permite constatar que é um modelo atrativo para os profissionais de saúde, mas também para os utentes”, salienta Duarte Marques, frisando, no entanto, que, “no curto prazo, urge adotar medidas mais urgentes e com resultados imediatos”.

Segundo os dados que têm recolhido no terreno através dos autarcas e da informação publicada pelo ACES do Médio Tejo, os concelhos com maiores necessidades em matéria de médicos nos cuidados primários são o Sardoal, Ourém e Torres Novas, para os quais os deputados do PSD pediram uma intervenção urgente por parte do ministro da Saúde.

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Miguel Borges, o presidente da Câmara Municipal do Sardoal, enviou uma exposição escrita ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, sobre a falta de médicos no concelho.

Considerando estarem esgotadas “as vias institucionais adequadas” por organismos que nada têm feito para resolver o minorar os problemas de assistência de saúde, o autarca decidiu expor ao chefe de estado uma situação que classifica de “terceiro-mundista” e “nada condizente com um País que se quer Europeu, no século XXI”.

Na missiva, Miguel Borges explica que esta situação arrasta-se desde 2009, “com evidente prejuízo de um grande número de pessoas e profundamente lesiva dos direitos constitucionais dos cidadãos”.

Segundo o autarca, a relação entre a autarquia e as autoridades de saúde “tem sido de enorme disponibilidade e colaboração, sem que, ao longo de todos estes anos e de sucessivos governos, encontre um pequeno sinal que me permita ter algum otimismo ou alguma esperança”.

“Passar no Centro de Saúde, como aconteceu no passado dia 20 de janeiro, às 8 horas da manhã, com os termómetros a marcarem três graus negativos, e ver mais de uma dezena de utentes, na sua maioria idosos, à espera do abrir das portas para tentarem conseguir uma consulta, é revoltante”, afirma Miguel Borges, que acrescenta ainda que há utentes que, para conseguirem os seus medicamentos, “têm que deixar no Centro de Saúde o pedido e só passado muito tempo (mais de um mês), é possível levantar o receituário”.

“É algo que não faz sentido nem pode acontecer”, lamenta o presidente da Câmara, que apela “à sensibilidade e magistratura de influência” de Marcelo Rebelo de Sousa para pôr cobro a uma situação em que estão “em causa a segurança e os direitos dos cidadãos”.

Paralelamente, Miguel Borges solicitou também o agendamento de reuniões com os deputados eleitos pelo círculo de Santarém para análise e discussão da situação exposta.

Carnaval Samora Correia - Fotos João Dinis

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