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Saúde

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A família de Virgílio Canaverde, o doente oncológico que viu uma cirurgia urgente ser adiada devido à greve dos enfermeiros, diz-se “revoltada” com a postura do Hospital de Santa Maria no que se refere à cedência de informação clínica relevante.

Uma vez que ficou sem data para ser operado num hospital do Estado, Virgílio Canaverde, a quem foi diagnosticado recentemente cancro na próstata e rins, viu-se obrigado a recorrer ao sector privado, a expensas próprias.

O doente marcou uma primeira consulta de avaliação numa unidade hospitalar privada em Santarém para esta terça-feira, 11 de dezembro, ao final da tarde.

Como já tinha realizado uma série de exames complementares enquanto andou a ser seguido em Lisboa, o paciente pediu essa documentação de diagnóstico ao Hospital Santa Maria, que deverá demorar perto de 10 dias a fornecê-la.

“Ao telefone, explicaram-me que tenho que preencher um requerimento a pedir os exames, e que depois demoram uma semana e meia para serem estregues”, afirmou à Rede Regional Sónia Canaverde, filha do doente oncológico, que não esconde a sua “revolta” com esta situação.

“Acho que andam a brincar com a vida das pessoas. Se não conseguem operar o meu pai, pelo menos ajudavam-no a salvar-se noutro hospital”, afirma a familiar, que nem “quer acreditar” na possibilidade do pai, que é também doente renal, ser obrigado a realizar todos os exames.

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Greve dos enfermeiros adia cirurgia a doente oncológico

A Entidade Reguladora da Saúde (ERS) recomenda ao Hospital Distrital de Santarém (HDS) que adote medidas para prevenir a ocorrência de quedas naquele estabelecimento de saúde, assegurando a existência de zonas específicas para doentes de elevado risco de queda e agitação.

A recomendação surge após a ERS analisar as notícias sobre o caso da Mulher de 64 anos em estado grave após cair de uma janela do Hospital, que a Rede Regional avançou em primeira mão a 14 junho deste ano, em que a doente, internada no serviço de Psiquiatria, sofreu ferimentos graves após cair de uma janela do primeiro andar.

A mulher dera entrada no serviço de urgência no dia anterior por tentativa de suicídio com faca e com saco, apresentava alterações comportamentais em contexto de síndrome demencial, mas, segundo a ERS, apesar disto, "o HDS admitiu ter retirado a imobilização à utente, deixando-a a aguardar um duche livre, para cuidar da sua higiene pessoal".

A entidade reguladora conclui que "o prestador [HDS] não acautelou o devido acompanhamento da utente, durante todo o período de internamento, garantido uma permanente e efetiva monitorização da mesma, apta a garantir o cumprimento do dever de prestação de cuidados de saúde de qualidade e com segurança, imposto ao prestador".

Na resposta o hospital confirma que a mulher esteve inicialmente imobilizada na cama mas que na altura "apresentava-se calma, aparentemente orientada no tempo e no espaço", pelo que o seu pedido para se levantar e ir à casa de banho foi autorizado.

Só que, pouco depois das 8h00, no início da passagem de turno, e na sequência do médico assistente da doente a ter procurado, uma enfermeira viu um chinelo no parapeito da janela da sala de enfermagem e, por esta se encontrar encostada, foi logo colocada a hipótese da doente ter saltado pela mesma, o que se viria a confirmar, tendo sido acionado o 112.

A doente encontrava-se na junção de duas partes do telhado, em zona mais baixa ao mesmo e que integra um corredor estreito onde também se situam torre de arrefecimento, chaminés e tubos vários. Viria a ser retirada pelos bombeiros pouco depois.

A investigação entretanto efetuada concluiu que o acesso da doente àquela sala só foi possível pelo facto de naquele momento não se encontrar fechada à chave, contrariamente ao que é hábito acontecer, não só por questões de segurança geral como também pelo acto em presença, apesar da dimensão da janela ser reduzida.

 

IDOSO CAIU DE MACA

Mas este não foi o único caso em que o protocolo do HDS quanto aos procedimentos de prevenção e de avaliação do risco de queda foi colocado em causa. Uma outra situação, ocorrida em 28 de setembro de 2017, terminou com a queda de um idoso de uma maca.

Segundo a queixa do filho do utente, o pai, doente oncológico transportado ao hospital pelos bombeiros, ficou internado no Serviço de Urgência durante a noite para o dia seguinte. Estava consciente mas sob efeitos do tratamento da quimioterapia, tendo ficado numa maca no corredor sem vigilância e caído da mesma sem que ninguém se tenha apercebido.

O hospital respondeu que "o doente foi visto de pé junto à maca, sem qualquer outro aparato nem sinais de acidente, o que não excluía a hipótese de queda", facto confirmado pelo perito consultado pela ERS.

Ainda assim, a entidade reguladora exorta o HDS a "adotar e/ou rever medidas e/ou procedimentos internos, com o objetivo de garantir a qualidade e a segurança dos cuidados de saúde prestados, designada, mas não limitadamente, medidas e/ou procedimentos de avaliação do risco de queda dos utentes e de prevenção da ocorrência desse incidente".

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Um doente oncológico que devia ser operado ainda em 2018 viu a sua cirurgia ser adiada sem data “por causa da greve dos enfermeiros. Foi essa a justificação que o Hospital de Santa Maria me deu”, disse à Rede Regional Virgílio Canaverde, de 63 anos, a quem foi diagnosticado cancro na próstata e nos rins há poucos meses.

O médico que o segue na unidade hospitalar lisboeta mandou-o realizar vários exames complementares com urgência, alguns deles em clínicas privadas, explicando-lhe que o problema oncológico teria que ser atacado nesta fase inicial, e que o iria operar até ao final do ano.

“Na última consulta, disse-me que a cirurgia teria que ser adiada por causa da greve dos enfermeiros. Eu nem queria acreditar”, explica o queixoso.

Virgílio Canaverde e a família, residentes em Santarém, têm contatado o Hospital no sentido de perceber como será resolvido o problema, mas “até agora, só dizem que não sabem”, explica o utente, que é também doente renal e faz hemodiálise.

“Não se pode brincar assim com a vida das pessoas”, afirma Virgílio Canaverde, que diz sentir-se “revoltado com o mau funcionamento do Serviço Nacional de Saúde”.

Enfermeiros recusam ser “bodes expiatórios”

A Rede Regional solicitou esclarecimentos por escrito sobre este caso ao Centro Hospitalar Lisboa Norte, responsável pela gestão do Hospital de Santa Maria, que não deu qualquer resposta.

Também contatado pela Rede Regional, Carlos Ramalho, do Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal, esclarece que “mesmo em greve, os enfermeiros garantiram sempre a realização de todas as cirurgias urgentes”, pelo que se desmarca da justificação dada ao paciente pelo hospital.

No caso do Santa Maria, segundo o mesmo, estão a funcionar em permanência três salas “para assegurar todas as cirurgias prioritárias. Sabemos que os tempos operatórios não estão a ser aproveitados na sua totalidade, mas isso não se deve à greve dos enfermeiros, que está a servir de bode expiatório para outras situações”.

Simulacro da Proteção Civil no Entroncamento - Fotos: José Neves