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A candidatura do Partido Socialista à Câmara de Santarém acusa o PSD de utilizar estratégias que violam a lei eleitoral e afirma que na constituição das listas afetas aos sociais democratas houve “aliciamentos” e “promessas por parte de quem está à frente do Poder Local e que envolvem transferências financeiras antes não realizadas, obras e ofertas de empregos, já depois da data das eleições marcada”.

Os socialistas esclarecem que em causa está, por exemplo, o anúncio de obras a efetuar pela Câmara Municipal de Santarém e a utilização de páginas pagas nas redes sociais, que o PS defende que não respeitam os princípios da neutralidade e imparcialidade a que os órgãos envolvidos no ato eleitoral devem obedecer.

“Lamentamos que tal tenha acontecido e actuaremos em conformidade”, esclarece a candidatura socialista, num comunicado assinado pelo cabeça de lista à Câmara de Santarém, Rui Barreiro, que garante que vai ser feita uma queixa à Comissão Nacional de Eleições.

O mesmo documento explica que “o Partido Socialista apresenta listas próprias em 15 das 18 freguesias do concelho sendo o partido a apresentar maior número de listas próprias, apoiando dois movimentos de independentes (União de Freguesias de Azoia de Cima e Tremez e União de Freguesias de Achete, Azoia de Baixo e Póvoa de Santarém) não apresentando candidatos numa freguesia em que o cabeça de lista e actual presidente se encontra com problemas de saúde, tendo sido entendido pelos socialistas e simpatizantes do PS local não o confrontar neste acto eleitoral”.

A Rede Regional contactou a candidatura do PSD, que não se quis pronunciar sobre as acusações socialistas.

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Seja com candidatos próprios ou apoiando movimentos independentes locais, o PSD é o único partido que concorre às 18 Assembleias de Freguesia e Assembleias de União de Freguesia do concelho de Santarém, nas próximas autárquicas de 1 de outubro.

 

Descontando o apoio a movimentos de cidadãos eleitores, o PS é o partido que surge com mais candidaturas em nome próprio, 15 no total, seguido por 14 da CDU, apenas 13 por parte do PSD, quatro do CDS/PP, e três do movimento de cidadania associado ao Bloco de Esquerda.

 

Olhando para o mapa do concelho, há mesmo uma freguesia em que o PSD é o único partido a apresentar candidato: na Abrã, com a recandidatura do atual presidente de junta Rui Ferreira.

Na Gançaria, o atual presidente Joaquim Duarte Aniceto, eleito há quatro pelo CDS/PP, recandidata-se agora pelo PSD, e terá como adversário Joaquim Félix, que concorre pelo PS.

 

União da Cidade e Almoster disputadas por cinco cabeças de lista

 

Das 18 Assembleias de Freguesia do concelho, há duas em que todos os partidos apresentaram lista, à União da Cidade de Santarém (que congrega as quatro antigas freguesias urbanas da cidade) e em Almoster.

 

Na cidade, o PSD recandidata o atual presidente de Junta, Carlos Marçal, que vai disputar o ato eleitoral com Carlos Catalão pelo PS, Paulo Correia pela CDU, Hugo Ribeiro pelo CDS/PP, e Graça Isabel, pelo Bloco de Esquerda.

 

Em Almoster, também se recandidata pelo PSD o atual presidente do órgão, João Neves, contra António Pereira pelo PS, Ana Serrão Bernardes pela CDU, Sandro Gomes pelo BE, e Rodrigo Cunha pelo CDS/PP.

 

De resto, há apenas duas freguesias com quatro cabeças de lista, Alcanede e a União de Freguesias da Romeira e Várzea.

 

No caso de Alcanede, a maior freguesia não urbana do concelho, onde a atual presidente de Junta Cristina Neves não se recandidata, surgem Manuel Joaquim Vieira (também ex-presidente de Junta) pelo PSD, Nuno Carreira pelo PS, Hermínio Alves pela CDU e Isabel Batista pelo CDS/PP.

 

No que diz respeito à União de Freguesias de Romeira e Várzea, o atual presidente de Junta Artur Colaço volta a recandidatar-se pelo PS, contra Dilma Madeira Lopes pela CDU, Manuel Serra pelo CDS/PP, e Carlos Beja, ex-presidente de Junta da vizinha Moçarria, pelo MIRVA – Movimento Independente Romeira Várzea, que conta com o apoio do PSD.

 

Movimentos independentes têm expressão no mapa eleitoral

 

No concelho, há ainda dois casos curiosos, onde PSD e PS apoiam o mesmo movimento de cidadãos eleitores, liderados por candidatos independentes.

 

Um dos casos é na União de Freguesias de Azoia de Cima e Tremez, onde o atual presidente da Junta Luís Mena Esteves surge como cabeça de lista do LITA – Lista Independente Tremez Azoia, e onde concorre apenas Fernando Borgas, pela CDU.

 

A outra situação ocorre na União de Freguesias de Achete, Póvoa de Santarém e Azoia de Baixo, com os dois principais partidos a apoiar a candidatura de Guida Botequim pelo MIAAP – Movimento Independente Achete, Azoia e Póvoa, contra Ana Paula Guerra pela CDU, e Paulo Chora pelo Bloco de Esquerda.

 

Ricardo Costa, o autarca mais antigo do concelho, volta a recandidatar-se à Assembleia da União de Freguesias de São Vicente do Paul e Vale de Figueira pelo MIFU, mas conta apenas com o apoio do PSD, uma vez que o PS apesenta João Ferrão como cabeça de lista e a CDU aposta em António Chança.

 

Na Moçarria, Marcelo Morgado, que chegou à presidência da Junta ao concorrer, há quatro anos, pela lista do MIMO com o apoio do PSD, trocou de camisola e é agora o candidato do PS, numa freguesia onde os social-democratas apoiam Margarida Gomes (MIMO) como cabeça de lista, e Dora Guilherme será a candidata pela CDU.

 

Recandidaturas, reconquistas e trocas de cadeiras

 

Nas restantes oito freguesias que faltam aqui analisar, há cinco onde os atuais presidentes de Junta surgem como recandidatos ao cargo e à maioria nas respetivas Assembleias.

 

Do lado do PSD, Carlos Santos volta a ser cabeça de lista nas Abitureiras, tendo António Branco, pelo PS, como único opositor, e Paulo Guedes recandidata-se em Arneiro das Milhariças, onde surgem também, nas próximas autárquicas, Helena Martinho pelo PS e Nélson Mena pela CDU.

 

Do lado do PS, Luís Emílio Duarte volta a recandidatar-se em Pernes, onde o PSD apresenta Sérgio Tormenta e a CDU avança com Estanislau Gonçalves.

 

Pedro Mena Esteves é recandidato pelos socialistas em Alcanhões, contra Pedro Rui Branco, do PSD, e Maria Leonor Fonseca, da CDU, ao passo que, no Vale de Santarém, Manuel João Custódio concorre a um segundo mandato contra Jorge Nogueira, do PSD, e André Gomes, pela CDU.

 

Seja qual for o resultado das próximas autárquicas de 1 de outubro, Amiais de Baixo, Póvoa da Isenta e a União de Casével e Vaqueiros vão ter novos presidentes de Junta.

 

Uma vez que José Augusto Santos, atual presidente de Junta de Amiais de Baixo, é o número 2 da lista de Rui Barreiro à Câmara de Santarém, o PS concorre a esta Assembleia com uma lista encabeçada por Duarte Neto, sendo Marco Aurélio Torres o candidato do PSD, e Manuel Simões o cabeça de lista da CDU.

 

Na Póvoa da Isenta, uma vez que a presidente da Junta Vanessa Duarte, eleita pela CDU em 2013, passou a cabeça de lista do PSD à Câmara do concelho vizinho de Almeirim, concorrem José João Pedro pelo PSD, João Delgado pelo PS, e Patrícia Burlamaqui pela CDU.

 

Por fim, na União de Freguesias de Casével e Vaqueiro, perante a não recandidatura de Carlos Trigo, concorrem Miguel Tomás pelo PSD e Gonçalo Azinheira pelo PS.

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O atual presidente da Câmara Municipal de Ourém, Paulo Fonseca, garante ter condições legais para concorrer a um novo mandato na autarquia, o que não aconteceria caso ainda estivesse declarada a sua insolvência pessoal por dividas que rondam os 4,6 milhões de euros.

“A situação não se coloca, como se verificará no dia 25 de Agosto, dia em que serão afixadas as listas definitivas”, afirma o autarca socialista na sua página pessoal do Facebook, naquela que é sua reação pública à ação de impugnação da candidatura do PS pedida pela coligação Ourém Sempre, que junta o PSD e o CDS.

Segundo uma nota de imprensa desta coligação, o pedido de impugnação é fundamentado por uma certidão "que declara que Paulo Fonseca se encontra insolvente, com decisão transitada em julgado, e que o mesmo processo de insolvência não se encontra encerrado", emitida pelo Tribunal de Santarém a 8 de agosto.

"Desconhece-se sentença que o tenha reabilitado", acrescenta o movimento liderado por Luís Albuquerque, cabeça de lista pelo PSD / CDS, lembrando que a Lei Eleitoral dos Órgãos das Autarquias Locais considera "inelegíveis para os órgãos das autarquias locais os falidos e insolventes".

“Já era previsível que a coligação PSD/CDS viesse tentar impedir a candidatura do PS”, responde o visado na sua página do Facebook, para quem “chama-se a isso tentar ganhar na secretaria aquilo que lhes parece impossível de acontecer na eleição, em face das sondagens e da evidente simpatia dos cidadãos do concelho pelo candidato Paulo Fonseca e pelos candidatos do PS”.

“Lamentamos que as eleições autárquicas não sejam disputadas num ambiente de balanço do trabalho de cada um e na discussão de propostas para a resolução dos problemas do concelho e, ao contrário, alguns optem por confundir as pessoas com golpes de secretaria”, acrescenta ainda Paulo Fonseca.

Recorde-se que o atual presidente da Câmara de Ourém, que foi também Governador Civil de Santarém, foi considerado insolvente pelo Tribunal de Ourém, na sequência de um processo por dívida de 350 mil euros, decisão que foi confirmada pelo Tribunal Constitucional em novembro de 2016.

Futebol: Jogo Coruchense x Mondenense | Fotos: João Dinis