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O vereador João Catela (PS) questionou esta segunda-feira o executivo municipal sobre a saída de Pedro Barreiro do cargo de diretor artístico do Teatro Sá da Bandeira (TSB), que ocupava, em regime de avença, há 3 anos, desde janeiro de 2015.

O assunto, que já motivara questões dos eleitos socialistas na sessão da Assembleia Municipal de Santarém de dezembro, tem levantado alguma polémica, uma vez que Pedro Barreiro é filho de Rui Barreiro, cabeça de lista do PS à Câmara de Santarém nas últimas eleições autárquicas, e há quem fale de saneamento político.

Esta segunda-feira, em resposta às questões do vereador João Catela, o presidente da autarquia, Ricardo Gonçalves, disse que não houve demissão mas simplesmente a não renovação de uma avença, e reassumiu que a saída teve a ver com a intenção de mudar o rumo da política cultural do espaço que, em seu entender, não estava a resultar.

Ricardo Gonçalves não se estendeu nos comentários, dizendo que ainda estava à espera de receber alguns dados relativamente à afluência de público aos espetáculos do TSB, nomeadamente o número de convites e o de pagantes efetivos de bilhetes.

 

Namorada de Pedro Barreiro pede explicações

Mas o assunto não ficaria por aqui. No final da reunião, no período reservado ao público, Silvana Ivaldi, namorada de Pedro Barreiro, pediu a palavra para criticar a analise feita à gestão do TSB e questionar o executivo sobre a dispensa do namorado.

Em resposta, a vereadora com o pelouro da Cultura, Inês Barroso, que na primeira intervenção, em resposta a João Catela, também tinha assumido alguma contenção nos comentários, por aguardar ainda algumas informações, acabou por revelar outros dados.

"Tudo o que é cultura é investimento mas há que ter contenção nas despesas", assumiu a responsável, revelando que houve espetáculos em que a venda de bilhetes se cifrou em 70 euros (14 bilhetes), sinónimo da falta de interesse que o mesmo suscitou no público, e que o número médio de espetadores rondou os 30% da capacidade máxima da sala, que é de 203 lugares.

Inês Barroso acrescentou ainda que após a exibição, a 2 de dezembro, da peça "O Mandarim", onde Silvana Ivaldi foi atriz, recebeu vários telefonemas de pessoas a queixarem-se do teor da peça, com "uma atriz nua em palco a dizer asneiras".

A vereadora referiu que não volta a falar sobre o assunto sem ter todos os dados, mas prometeu que em breve serão conhecidas novas orientações para o teatro e para toda a política cultural do município.

 

Pedro Barreiro faz duras críticas a Ricardo Gonçalves e à gestão do PSD

As divergências entre Pedro Barreiro e os responsáveis da Câmara de Santarém começaram a tornar-se públicas em setembro de 2017, a poucos dias das eleições autárquicas, quando o diretor artístico criticou, em várias publicações na sua página pessoal do facebok, a gestão do PSD, que acusou de "incompetência" e "mediocridade", fazendo um apelo claro ao voto no seu pai.

As críticas estenderam-se a Ricardo Gonçalves, que Pedro Barreiro acusou de ser "um fraco presidente de Câmara" e de liderar o executivo municipal de forma folclórica.

"Existe uma alternativa real, diferente e contrária à pequenez, à incompetência, à mediocridade e ao atraso a que nos têm votado as políticas do actual executivo municipal, folcloricamente liderado por Ricardo Gonçalves", escreveu numa das publicações para, dias depois, referir que "Santarém pode e deve ser muito melhor! Não nos podemos compadecer com a mediocridade de Ricardo Gonçalves e do PSD na Câmara Municipal. Se querem mesmo mudar o estado a que chegou Santarém, votem Rui Barreiro/PS no dia 1 de Outubro".

Coruche: Partida Sahara Desert Challenge | Fotos: João Dinis