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Santana-Maia Leonardo

Santana Maia LeonardoQuando olhamos para as actuações de Bruno de Carvalho (pública) e de Luís Filipe Vieira (subliminar), vem-nos imediatamente à memória dois figurantes da política portuguesa: José Manuel Coelho e José Sócrates.

Mesmo admitindo que Bruno de Carvalho tenha alguma razão nas críticas que faz ao futebol nacional, o certo é que se descredibiliza totalmente e ao clube que representa, ao adoptar o estilo madeirense de José Manuel Coelho. Aliás, a sua última entrevista à televisão do Sporting atingiu picos de ridículo e de anedótico que o próprio José Manuel Coelho seria incapaz de protagonizar. Uma vergonha para todos os sportinguistas e um gozo imenso para os seus adversários que tiveram ali a prova provada de que o presidente do Sporting, como se diz no Alentejo, "não junta o gado todo".

Pelo contrário, Luís Filipe Vieira, adoptando o modelo socrático, conseguiu aquilo que Sócrates não conseguiu, ou seja, infiltrar todos os poderes, designadamente a comunicação social. E da mesma forma que Pedroto anunciara o programa do FC Porto que desaguou no Apito Dourado quando disse que, em Portugal, mais importante do que contratar jogadores era controlar o Conselho de Arbitragem, também Luís Filipe Vieira anunciou publicamente o programa do SL Benfica para regressar às vitórias quando disse que mais importante do que contratar jogadores era colocar os homens certos nos lugares certos.

E os mails que vão sendo agora revelados a conta-gotas pelo FC Porto (e que eu não duvido de que são verdadeiros até pela reacção dos visados) revelam precisamente o sucesso da estratégia de Vieira, tendo criado uma teia de cumplicidades que envolve a imprensa desportiva e, pelos vistos, alguns clubes. Até o jornal A Bola, que foi um jornal de referência do jornalismo desportivo nacional, acabou, pelos vistos, por se deixar enredar nesta teia de servir “o que vende”, em vez de continuar a servir o jornalismo isento e imparcial.

Com a divulgação dos mails, o SL Benfica, como toda a gente já percebeu, aposta todas as fichas na declaração, por parte do tribunal, da ilicitude na forma como foram obtidos. Agora o que é estranho é que a Liga fique a aguardar pacientemente pela decisão judicial.

Está-se aqui a confundir duas coisas diferentes. O facto de um tribunal absolver um pedófilo por considerar que o meio de prova foi obtido de forma ilícita, não obriga o pai da menor a permitir que esta continue a conviver com o pedófilo. E o que se aplica ao pai, aplica-se à Liga: os clubes não podem aceitar disputar uma competição com um clube que sabem que faz batota, independentemente de ser lícita ou ilícita a forma como souberam. A não ser que haja clubes que, na sua miséria, se comportam como certos pais que vendem as filhas menores ao vizinho rico para receber uns trocos.

 

Partida em Coruche do Grande Prémio de Ciclismo Abimota - Fotos: João Dinis