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Santana-Maia Leonardo

Santana Maia Leonardo"Diz o roto ao nu". Esta expressão popular resume na perfeição as intervenções a que assistimos no espaço público: seja no Parlamento, na comunicação social ou nas redes sociais.

O nosso grande e grave problema tem a ver precisamente com a chamada CULTURA DA EXIGÊNCIA. E a única forma de a ensinar é com o exemplo. 

Acontece que os portugueses, de uma forma geral, apenas são exigentes quando se trata de cobrar aos outros, ao ponto de se lhes exigir aquilo que, em idêntica situação, não praticam nem exigem aos seus. Aliás, a si e aos seus, toleram e justificam tudo, não tendo sequer pejo de usar a expressão mais cínica de todas e típica dos canalhas: "os outros, se cá estivessem, faziam o mesmo".

Por exemplo: como pode Passos Coelho ou algum dos seus apoiantes pedir a demissão de quem quer que seja quando a ministra da Justiça se manteve no lugar após a tragédia da reforma do mapa judiciário? (Para já não falar do resto...). O descrédito da política portuguesa reside precisamente nesta dualidade de critérios: exige-se aos outros o que não se pratica em casa. 

No futebol, passa-se precisamente o mesmo ou não fossem os protagonistas feitos da mesma massa, quando não são os mesmos: os maiores críticos e os que mais se indignaram e indignam com os comportamentos do Apito Dourado são precisamente os que mais toleram comportamentos idênticos do seu clube. No campeonato da hipocrisia e do cinismo, os portugueses são imbatíveis.

 

Futebol: Jogo Coruchense x Mondenense | Fotos: João Dinis