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Santana-Maia Leonardo

Santana Maia Leonardo"No tempo da outra senhora, sempre disse o que me apeteceu e nunca fui perseguido pela PIDE e agora, se disser o que penso, sou perseguido". Já, por diversas vezes, ouvi este argumento com que se pretende demonstrar que hoje existe menos liberdade de expressão do que antes do 25 de Abril. E, de certa forma, o argumento tem fundamento uma vez que Salazar nunca perseguiu aqueles cujas opiniões eram politicamente correctas para o regime.

O que distingue uma ditadura de uma democracia liberal é precisamente o direito de cada um de nós poder expressar ideias e opiniões politicamente incorrectas e que, inclusive, colidem com os valores em que se funda o próprio regime. 

Vem isto a propósito da notícia das duas médicas que querem apresentar queixa contra Gentil Martins pelas suas opiniões politicamente incorrectas. Pelos vistos, a nossa democracia não só continua a fazer uso da mordaça herdada do tempo do fascismo para silenciar os hereges que põem em causa a verdade revelada pela Congregação da Fé como passou agora a contar, por força da igualdade do género, também com as bufas. As bufas, verdade se diga, não diferem em nada dos bufos do antigamente, apenas têm um cheiro mais acentuado pelo facto de vivermos em democracia. E não deixa de ser curioso constatar que, enquanto Adriano Moreira foi ministro no tempo dos bufos, a sua filha é deputada no tempo das bufas.

Pessoalmente detesto bufos e bufas. E, entre uns e outras, sempre prefiro, sem qualquer sombra de dúvida, o peido altivo e sonoro com que Salvador Sobral prometeu brindar a turba e que tanto indignou as redes sociais. Na altura, também me indignei porque não gosto de gente que promete e não cumpre. Mas hoje compreendo perfeitamente por que razão Salvador Sobral se encolheu e, no último momento, decidiu fechar as comportas. É que um país de bufas não vale um peido...

 

Futebol: Jogo Coruchense x Mondenense | Fotos: João Dinis