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Santana-Maia Leonardo

Santana Maia LeonardoQuando, na madrugada de 2 de Abril, abri o Facebook e vi a foto de Artur Lalanda com a legenda "Viveu de 4/10/1930 até 31/3/2017", fiquei sem saber o que pensar. Uma simples brincadeira parecia-me de mau gosto, mas também me custava a acreditar que tivesse falecido há já dois dias e que eu não tivesse tido conhecimento.

Entre os meus amigos e conhecidos, todos sabiam o apreço, o carinho, a estima, a elevada consideração e a grande admiração que eu nutria por Artur Lalanda. E não só penso que era retribuído da mesma forma como tenho a certeza absoluta de que Artur Lalanda foi uma das pessoas que mais me valorizava, depositando uma confiança em mim muito para além das minhas qualidades e das minhas capacidades.

Artur Lalanda foi um dos meus grandes suportes durante todo o meu mandato como vereador da Câmara Municipal de Abrantes. A sua ajuda, os seus conhecimentos e a sua coragem foram determinantes no combate político que eu e Belém Coelho levámos a cabo, durante o nosso mandato, em defesa da cidadania, da liberdade e da mudança de mentalidades e de comportamentos que protegem os amigos e os medíocres e penalizam quem cumpre e quem trabalha.

Mesmo com os seus 80 anos, poucas pessoas conheci na vida com a combatividade, a verticalidade, a nobreza e o poder de fogo de Artur Lalanda. Se Abrantes tivesse três pessoas com a fibra dele, outro galo cantaria... Artur Lalanda era um cidadão livre que nunca se rendeu às mordomias e às conveniências do poder, qualquer que fosse a sua natureza. A sua morte é uma enorme perda, sobretudo para um concelho absolutamente carente de gente com o seu perfil. Obrigado, Artur Lalanda!

II

O exemplo é a única forma de ensinar. E sempre ouvi dizer que o exemplo vem de cima.

Consequentemente, quando as televisões promovem diariamente programas para-desportivos, onde figuras públicas dos maiores clubes portugueses, alguns dos quais ex-ministros e ex-secretários de Estado, dão largas ao seu fanatismo clubista, apelando à guerra santa com incitamentos ao ódio clubista mais primário, descredibilizando as instituições e os regulamentos de que os seus próprios clubes são os únicos pilares, não se pode esperar muito dos jogadores do Canelas, a maior parte deles com baixa escolaridade e a viverem na marginalidade. 

Com efeito, quando as elites se comportam como autênticos "porcos", não se pode esperar que sejam aqueles que vivem atascados na porcaria a dar o exemplo e a limpar a pocilga.

 

Balonismo em Coruche - Fotos João Dinis