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Santana-Maia Leonardo

Santana Maia LeonardoTodos os portugueses que gostam verdadeiramente de futebol e da competição limpa têm a obrigação de saber que não existem condições mínimas de isenção e imparcialidade para que se possa realizar em Portugal um campeonato de futebol da I Liga. E não adianta dizer que, em Espanha, Inglaterra, Alemanha e Itália, também existem clubes grandes e pequenos, porque a questão não é essa, nem é esse o problema.

O problema é que, enquanto em Espanha, Inglaterra, Alemanha e Itália, existem clubes (grandes e pequenos) em número suficiente para fazer um campeonato e criar estruturas federativas que garantam a isenção e a imparcialidade da competição, em Portugal isso é impossível porque só existem três clubes que reúnem a totalidade dos adeptos. Tanto assim é que, enquanto Real Madrid, Barcelona, Manchester United e Bayern, os maiores colossos a nível mundial, apenas jogam em casa nos seus estádios, precisamente porque os outros clubes com quem jogam têm existência de facto (ou seja, têm adeptos), Benfica, Sporting e Porto jogam sempre em casa, à excepção quando jogam entre si.

É, por isso, que Benfica, Sporting e Porto se desunham para meter os seus homens de mão nas estruturas federativas, ainda que disfarçados com as cores de outros clubes, porque sabem que, se não estiverem lá os dele, estão, fatalmente, os do inimigo. E é muito fácil saber qual dos clubes, em cada momento, tem a mão no pote. Basta atentar no seu discurso e na sua pose. O vilão é sempre aquele que tem pose de estadista e professa confiança nas instituições.

Ora, quando Portugal tem apenas adeptos de três clubes e se cria um campeonato com 18 clubes, dos quais 15 são compostos por dirigentes e adeptos do Benfica, Sporting e Porto, não adianta vir com o vídeo-árbitro porque o campeonato está viciado à partida, uma vez que não é possível, num jogo que interesse a Benfica, Sporting e Porto, escolher árbitros e observadores que não estejam comprometidos com um destes três clubes.

Respondam com franqueza: acham que Rui Gomes da Silva, Manuel Serrão ou Eduardo Barroso têm condições para arbitrar, ser observadores ou juízes num jogo que envolva Benfica, Sporting ou Porto? Mas o problema é precisamente esse: a escolha está sempre limitada a um adepto destes três clubes. Ora, exigir que Benfica, Sporting e Porto confiem na imparcialidade e isenção de um adepto da equipa adversária cujo clube é parte (mais do que) interessada na decisão é pedir de mais. Até porque não é humano pedir a um benfiquista, sportinguista ou portista isenção e imparcialidade numa decisão que prejudique ou beneficie o seu clube.

 

Operações de busca e resgate aquático - Fotos João Dinis