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Nuno Antão

nuno antao oculosDezembro é mês de fechar portas, encerrar capítulos, terminar histórias e renovar votos, com o ano a terminar há portas para fechar para abrir e ainda há outras que teimam em empenar e a dificultar o encerramento e abertura dos ciclos naturais da vida.

A melhor porta do ano

Terminamos o ano de 2016 com a abertura de um portão de esperança com a eleição, por unanimidade e aclamação, de um dos nossos para a Organização das Nações Unidas, que estando mais desunidas que nunca confiaram a um português essa nobre e digna tarefa de construir a paz, António Guterres tem “só” a tarefa de abrir as portas e derrubar os muros que Putin e Trump tem fechado e querem construir.

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A pior porta do ano

O ano de 2016 foi um rotundo falhanço nos objectivos do entendimento global, nomeadamente na resolução da dramática situação dos refugiados dos mais diversos conflitos mundiais, nomeadamente da Síria e em especial em Aleppo, durante quanto tempo mais vamos pactuar com imagens como estas? Por quanto mais tempo vamos tolerar os muros na Hungria e as restrições de “public meetings” na Polónia?

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Por cá, neste cantinho da aldeia global foram abertas portas históricas. Durante o ano confirmou-se a capacidade de compromisso entre as esquerdas e a incapacidade da direita e de grande parte da opinião publicada em perceber a mudança. Com as pessoas no centro das políticas é mais fácil concretizar os sonhos. A fragilidade do mundo, já por aqui retratada, pode a qualquer momento meter em causa tudo o que se constrói, mas a alternativa de destruição e desmantelamento do estado, obriga-nos a manter a porta aberta custe o que custar.

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Obviamente que não cabe neste espaço uma revista intensa e exaustiva de 2016, as portas velhas que caíram, que empenaram e que se fecharam foram muitas, muitas mesmo. Se todos nós temos a capacidade de as identificar, eu escolhi estas e termino com uma cá da terra, o reconhecimento mundial da arte falcoeira e da falcoaria, afirmado em 2014, como “ancora de desenvolvimento do concelho”. O selo da Unesco (Património Imaterial da Humanidade) conquistado num ano de afirmação do turismo como mais valia e valor acrescentado para o país, pode, com uma estratégia clara, partilhada e assumida como de todos, tornar Salvaterra de Magos uma efectiva porta de entrada de turistas no Ribatejo, assim também se concretize em 2017 a ideia de ter o rio Tejo como corredor de acesso de gente, aproveitando duas da maiores entradas de turistas em Portugal, o Aeroporto Humberto Delgado e os terminais de cruzeiros do porto de Lisboa. 

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Que 2017 seja, também para vós, ano de fechar e abrir portas, encerrando ciclos e abrindo novos projectos, que o ano seja de grande e intensa participação na vida comunitária e na construção de projectos de desenvolvimento sustentável dos vossos, nossos, territórios e gentes.

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Desert Challenge 2017