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Arménio Gomes

Finalmente o executivo Municipal de Santarém falou sobre o que projeta fazer dos prédios da Escola Prática de Cavalaria: uma residência para estudantes estrangeiros do Instituto Politécnico de Santarém. A recuperação de cada apartamento custará em média 50 mil Euros ao erário público municipal, num total de 1,6 milhões de Euros.

Numa época em que o Governo da Nação ataca vilmente os ordenados da função pública, os apoios sociais e as reformas dos pensionistas faz sentido o investimento público nestes edifícios? Faz sentido uma Câmara Municipal sobre endividada que teve de pedir apoio ao Governo da Nação para poder pagar as suas dívidas estar a fazer mais dívidas para que as paguemos com mais impostos? Terá a Câmara de ficar com tudo o que foi património de outras instituições públicas e terá capacidade financeira para os manter? Existe algum valor histórico para a cidade destes prédios que obrigue a Câmara a manter a propriedade pública destes edifícios?

O Presidente da Câmara defendeu que a Câmara Municipal não tem recursos para fazer essas obras e portanto terá de se candidatar a Fundos Comunitários para poder executar esta obra.

De facto, a curto prazo parece ser interessante colocar uma ou duas empresas construtoras a reparar o património municipal (desde 2006 ao abandono) ajudando assim a combater o desemprego na região, mas e depois das obras estarem feitas que beneficio trará para a Cidade? Teremos estudantes estrangeiros a viver num ponto isolado da cidade, com poucos meios de transporte e sem qualquer comércio à sua volta. Por outro lado, os 32 andares não gerarão qualquer receita (IMI) para os cofres da Câmara Municipal.

Existirá melhor investimento para os impostos que pagamos e para os ditos fundos comunitários? Estou convencido que sim. O centro histórico da cidade tem bastante património municipal abandonado, no qual poderíamos aplicar esse dinheiro e fazer aí a residência para os estudantes estrangeiros. A curto prazo continuará a gerar postos de trabalho e alguns condicionamentos no dia a dia da cidade, mas feitas as obras irá trazer vida à cidade. Rejuvenescerá a cidade com os estudantes que ficam muito melhor servidos em termos de transportes públicos, perto da incubadora de empresas e com comércio à porta de casa.

Por outro lado, os prédios da antiga-EPC através da sua alienação a privados (que os recuperariam por metade desse preço), poderiam ser uma fonte de financiamento imediato da parte de compete à Câmara Municipal nas obras e a partir daí uma fonte de rendimento através do IMI.

Através da alteração do foco estratégico a Câmara Municipal poderá: apoiar o emprego local, dar vida ao centro da cidade, trazer mais habitantes e assim mais potenciais consumidores ao Comércio tradicional que hoje definha, investir sem incrementar muito a sua dívida e resolver a problemática dos prédios ao abandono.

Ainda vamos a tempo repensar o que fazer e Santarém não pode perder oportunidades!

 

Arménio Gomes, Economista

Futebol: Jogo Coruchense x Mondenense | Fotos: João Dinis