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ARMÉNIO GOMES, Economista

A 9 de Julho de 1913 saiu a lei que transferiu a Estação Zootécnica Nacional juntando-se assim à Coudelaria Nacional na Quinta da Fonte Boa no Vale de Santarém, bem junto à capital do Ribatejo. Transformou-se num grande centro de investigação na área da Zootecnia e da maior fonte de emprego para as freguesias do Vale e da Póvoa da Isenta tendo chegado a empregar 500 pessoas.

Atualmente, já rebatizada de Instituto Nacional de Instigação Agrária e Veterinária, desmanteladas muitas das unidades de investigação, emprega pouco mais de 115 pessoas e com os pedidos de reforma a efetivarem-se nos próximos meses passará a empregar menos de 100 pessoas.

Este património não pode ficar desprezado como está atualmente. Os edifícios podem e devem ser utilizados pelos vários institutos do ministério da agricultura na cidade de Santarém (apenas a 6 km de distância), ganhando por um lado eficiência para os utilizadores dos serviços do ministério e por outro lado, levando a que o Estado português poupe o valor das rendas que paga na cidade em edifícios que não são seus.

Mais que a rentabilização dos edifícios, a Estação Zootécnica (assim a irei sempre chamar) dispõe de 600 ha de terra e uma capacidade instalada desprezada. Ora estando localizada no concelho que é capital do Ribatejo (uma das regiões mais produtivas agricolamente da Europa), com uma Escola Agrária com uma experiência de 125 anos tão perto, com um desemprego jovem tão elevado, com os Fundos Comunitários a premiarem a instalação de novos agricultores, não seria a Estação Zootécnica um local mais que apropriado para aproveitar sinergias e ser a base de uma “Start up” para empresas agrícolas?

Por um lado, o património do Estado passa a ser cuidado e rentabilizado (também com a cobrança de rendas simbólicas aos jovens agricultores); por outro, combate o desemprego, daria suporte científico aos novos agricultores que poderiam ser finalistas da Escola Agrária (fixando assim também massa cinzenta no nosso concelho).

Mais que dar o peixe, o Estado tem a função de ensinar a pescar, neste caso a cultivar. Mais que dar medalhas de ouro do Município às Instituições a Câmara Municipal tem de saber ser a promotora da optimização das sinergias entre as Instituições presentes. A rentabilização da Fonte Boa, gera emprego, preserva o património público e combate o despesismo do Estado português! Do que estamos à espera para o fazer?!

 

Arménio Gomes,

Economista

Simulacro da Proteção Civil no Entroncamento - Fotos: José Neves