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ARMÉNIO GOMES, ECONOMISTA

Quando pensamos em energias renováveis temos a tendência para pensar na energia eólica e na energia solar. De facto, Portugal e o resto da Europa fizeram na última década fortes investimentos nestas energias, tendo conseguido Portugal obter, graças a estes investimentos na energia eólica, uma balança comercial energética, em vários meses do ano, positiva. Para além disso, a Europa possui 75% da capacidade mundial instalada de energia solar fotovoltaica. Contudo, o recurso renovável mais utilizado no Velho Continente é a madeira.

A energia da Biomassa representa cerca de 50% das energias renováveis consumidas na Europa, chegando em alguns países a representar 80%. O investimento nesta energia irá crescer nos países do Norte da Europa com a atribuição de subsídios aos produtores, a título de exemplo, o Reino Unido irá subsidiar os produtores desta energia em 68€ por Megawatt/hora. Com incentivos desta grandeza, a procura destas empresas por madeira irá crescer. Segundo a empresa canadiana IWM, a Europa consumiu, em 2012, 13 milhões de toneladas de granulado de madeira e a tendência será que duplique o valor em 2020 num total mundial o consumo será de 60 milhões de toneladas nesse mesmo ano.

Não produzindo estes países madeira suficiente para a produção desta energia, as empresas irão recorrer à importação deste bem que tem tido um aumento significativo de preços no mercado internacional nos últimos anos. Assim sendo, o setor florestal é um setor que tem forte potencial de rentabilidade nos anos que se avizinham.

O Ribatejo tem, segundo o Plano Regional de Ordenamento de 2009, cerca de 410 mil Hectares de Espaços Florestais dos quais mais de 94 mil Hectares não estão arborizados. Isto significa que a nossa região tem enormes potencialidades de crescimento no setor florestal e pode aproveitar os bons ventos que sopram com o incremento da procura internacional para a criação de riqueza e de emprego. Há então que investir e cuidar os espaços florestais de forma séria, prevenindo incêndios e controlando possíveis pragas, para criar e proteger o novo “ouro negro”.

Arménio Gomes

Economista

 

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