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JOSÉ AUGUSTO DE JESUS, advogado

Os dados de um Eurobarómetro divulgado pela Comissão Europeia indicam que os jovens estão cada vez mais afastados da vida política. Mas não só os jovens. Também os menos jovens tendem a afastar-se cada vez mais da política, dos partidos e, sobretudo, dos políticos. Foram conhecidos recentemente outros estudos que demonstram que as pessoas confiam cada vez menos na democracia tal como a conhecemos.

Eu acredito que a participação de todos os indivíduos na definição da forma como se governa a sociedade é importantíssima – julgo já o ter partilhado antes aqui. A participação deve ser livre, mas organizada. E para esta organização temos diversos órgãos institucionais. O afastamento das pessoas da política não augura nada de bom para a democracia.

Concretizando: esta semana Miguel Sousa Tavares disse que já tínhamos um palhaço e que se chama Cavaco Silva! O Presidente da República não gostou e queixou-se à Procuradoria-Geral da República. Alguém com responsabilidade na feitura de opinião dispara uma frase destas e vejam o que se passa a seguir, por exemplo no facebook: ele disse “mata” e muitos vieram atrás a dizer “esfola”. São jovens e menos jovens, mas são assustadoramente muitos a quem basta um pequeno rastilho para incendiar a “casa” toda!  

O escritor, jornalista, comentador, já se veio retratar e dizer que exagerou. Reconheceu que o Presidente tem razão na queixa. Não podia ser de outra forma. Mas aqueles que foram atrás dele e o ultrapassaram, esses ainda não pararam e duvido que se venham retratar. E assim voltamos ao início: os políticos, os partidos os órgãos de soberania, são todos uns malandros…

Estamos em época pré-eleitoral, a pouco mais de três meses das eleições autárquicas. Ora aqui está na minha opinião uma boa forma de contribuir para inverter a tendência. Nestas eleições vamos ter partidos, candidatos independentes, mas todos eles pessoas que se devem empenhar na aproximação da política às pessoas. Sim, porque todos eles, com ou sem partidos, são políticos!

Ao nível do poder local, apelar a esta aproximação pode até parecer uma redundância, mas infelizmente não é! A verdade é que nos últimos anos muitos políticos locais no poder esqueceram as pessoas, as suas pessoas! Em nome de caprichos e mirabolantes obras sem retorno e sustentabilidade, em nome de monumentais incrementos nas dívidas das autarquias, agora falidas, esqueceram-se do mais simples como seja o saneamento, as ruas, os passeios, os espaços verdes, os apoios sociais, e por aí adiante. E esquecendo estas pequenas coisas, afastaram-se das pessoas, da sua terra.

As pessoas devem voltar a gostar da sua terra! As pessoas devem interessar-se por quem a governa. O destino político de uma terra não tem de ser uma fatalidade já escrita. É importante que os políticos percebam o que devem fazer para merecer da parte das pessoas esta oportunidade de confiança. Esta aproximação à terra contribuirá, sem dúvida, para um futuro melhor.

 

José Augusto de Jesus

Advogado

Inauguração Sabores do Toiro Bravo, em Coruche - fotos João Dinis