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JOSÉ AUGUSTO DE JESUS, Advogado

Celebramos hoje o Dia da Liberdade!

É sem dúvida uma data marcante o 25 de Abril! 39 anos depois assinalamos a data em que Portugal virou uma página na sua história. Depois de meio século de ditadura, abrimos caminho, confiantes, para a democracia. Fundamos o Estado de Direito onde as liberdades e garantias do cidadão foram finalmente proclamadas. E o melhor de tudo é perceber que a Revolução foi pacífica! As armas não precisaram de balas, bastou-lhes os cravos! Renasceu um Povo!

A Revolução dos Cravos mudou o nosso mundo, e correu o mundo! O 25 de Abril é hoje recordado pelos portugueses, com orgulho! Abril foi exemplo! Abril é exemplo! É possível mudar! A coragem teve um prémio. Um prémio que aproveitou às gerações vindouras.

Esta coragem que hoje celebramos é a mesma coragem e determinação com que podemos e devemos enfrentar os desafios do presente, sempre a pensar, como há 39 anos, num futuro melhor!

E pensar num futuro melhor é, nomeadamente, pensar que podemos influenciar a comunidade em que vivemos. E a isto, sem rodeios e com coragem, damos o nome de política! Sim porque a política não tem que ter a conotação pejorativa que é tão fácil nos dias que correm. Bem sei que o rumo que sigo pode ser apetecível para os mais conformados atirarem com descrédito e falta de confiança. Mas o objectivo é o oposto.

Recordar Abril é recordar coragem! É recordar mudança! E foram homens e mulheres que não ficaram em casa que permitiram esta liberdade! Homens e mulheres inconformados! Em democracia, nesta “coisa” que o 25 de Abril nos trouxe, a nossa liberdade de expressão traduz-se em cidadania. E a cidadania é participação. E a participação tem o seu expoente máximo no voto. Porque vivemos em democracia representativa, o voto serve para escolhermos aqueles que queremos que nos representem na condução da nossa sociedade.

Estamos precisamente em ano de eleições autárquicas. E se há eleições em que a proximidade entre representantes e representados é estreita, são precisamente estas. Aqui é díficil dizermos que não conhecemos os que pretendem representar-nos. Os candidatos para a câmara, para as freguesias, são, na sua grande maioria, nossos conhecidos, nossos vizinhos! Temos por isso redobrados motivos para participar na escolha daqueles que queremos que nos representem, bem como para participar na escolha daquelas que nos parecerem ser as melhores propostas políticas.

Na terra onde vivo, o Cartaxo, confesso que é com tristeza que vejo um concelho falido, à espera de um duplo resgate da parte do estado central que significa 45 milhões de euros. Verdade! 45 milhões de euros que servem para pagar dívidas e mais dívidas! E, apesar de tanto dinheiro ter sido esbanjado por políticos caprichosos, as ruas estão todas esburacadas, os jardins abandonados, as empresas não têm onde se instalar, a identidade da terra foi delapidada, o Povo foi enganado!

Não será certamente o Cartaxo caso único, mas aqui eu tenho a certeza que é preciso coragem para mudar a forma como influenciamos esta sociedade! No Cartaxo, não são certamente aqueles que nos trouxeram a este desastre que devem voltar a merecer a nossa confiança. E a vontade deles é tanta que já não cabem todos no mesmo barco. Aqueles que nos trouxeram até aqui, e que ainda governam ou governaram recentemente esta terra, vêm agora dizer que desta é que vão fazer bem. Nada mais que uma tentativa de perpetuar o poder pessoal. Mas o poder não deve ser para servir alguns.

O poder é do Povo é deve estar ao serviço de todos! A liberdade de Abril faz sentido aqui!

 José Augusto de Jesus

Advogado

Simulacro da Proteção Civil no Entroncamento - Fotos: José Neves