chamusca bibliotecatecfresh2018 slide

JOSÉ AUGUSTO DE JESUS, Advogado

O contexto social e económico em que vivemos não é muito famoso. Há alguns anos a esta parte ele tem-se degradado. São muitas as razões que nos trouxeram até aqui, já as identificamos sobejamente e não quero repita-las. É certo que os erros do passado devem estar presentes na nossa memória, só assim aprenderemos a não tropeçar neles novamente. Mas mais do que insistir nas causas, nos relatórios, impõe-se apontar soluções para as pessoas, contando com as pessoas!

E falar em contar com as pessoas é absolutamente essencial uma vez que vivemos numa democracia representativa. O poder é do Povo. Mas o Povo legitima por meio do ato eleitoral aqueles que em seu nome tomam as decisões políticas. Os eleitos são os políticos, aqueles que se predispuseram a governar o Povo, de quem se espera as tais soluções...

Contudo, o tal contexto social e económico, sobretudo esse, tem potenciado algum afastamento das pessoas em relação aos políticos. Granjeia-se por esta altura uma atitude de desconfiança em relação à classe política, alguma revolta mesmo, pela incapacidade que as pessoas percebem em que se encontrem soluções para as suas dificuldades.

Os políticos precisam de se aproximar das pessoas. As pessoas precisam de acreditar de novo naqueles que as governam. Há um caminho de credibilização que urge voltar a trilhar!

2013 é ano de eleições. Um pouco por toda a parte vamos conhecendo já muitos daqueles que se predispõem a representar as pessoas na câmara municipal, na assembleia municipal e nas juntas de freguesia. Estes políticos locais tem também a sua quota parte de responsabilidade no caminho da credibilização da classe política. Tanto mais que estes são aqueles que estão mais próximos das pessoas. Nem toda a gente terá facilidade em falar com um primeiro-ministro, mas já não será tanto assim com o presidente de câmara, ou dadas as circunstâncias, com o candidato a presidente de câmara com quem o seu potencial eleitor se cruza com regularidade. Àqueles que se apresentam aos eleitores pede-se que assumam a sua disponibilidade em servir o Povo e não que deliberadamente deixem perceber que se querem servir a si próprios.

Não pretendo de forma alguma ter a ousadia de me colocar em posição de dar lições, mas posso como cidadão apontar alguns exemplos daquilo que não contribui, de forma nenhuma, para a credibilização dos políticos.

As autarquias locais têm hoje graves dificuldades económicas. Algumas estão mesmo na falência! Não contribui em nada para a credibilização que reclamo, enquanto cidadão, que os números da dívida sejam escondidos ou apresentados ao sabor dos seus destinatários. As pessoas têm direito a perceber onde foram gastos os recursos públicos. Os eleitores devem conhecer as razões pelas quais serão obrigados a suportar a falta arranjo de estradas ou jardins, a falta de apoio às colectividades, ao comércio local. Ou, para ser ainda mais claro, porque é que a autarquia se endivida a 15 ou 20 anos, afastando a possibilidade de qualquer investimento na melhoria das condições de vida dos cidadãos. A falta de transparência da atividade política descredibiliza.

A falta de sentido de responsabilidade também descredibiliza os políticos. Há muitos exemplos de políticos, uns com mais tempo de governação, outros com menos, que se apresentam aos eleitores para renovarem os seus mandatos, ou voltarem a ser eleitos, pretendendo fazer crer que desta vez é que é! Apesar de terem sido atores destacados na condução das políticas que levaram a uma falência comprovada, vão sacudindo a água do seu capote, como se a tal falência fosse obra do acaso. A gestão de uma câmara tem rostos, as pessoas conhecem-nos!

Os projetos políticos e aqueles que os encabeçam têm que ser sérios. Não podem aqueles que se candidatam recorrer a mais ou menos elaboradas máquinas de imagem para ludibriar expectativas, chegando mesmo a negar a sua condição de políticos. Os eleitores estão atentos e têm recursos para avaliar da seriedade de uma candidatura.

Nestas eleições autárquicas que se avizinham – aliás como em todos os atos eleitorais em que se escolhem os políticos que nos governam – o respeito pelas pessoas, pelos eleitores, impõe da parte dos políticos transparência, responsabilidade e seriedade. Apesar da contestação e da revolta pelo contexto social e económico, acredito que desta forma as pessoas não deixarão de participar e de confiar que é possível encontrar as soluções a que me referia no início deste texto – em nome de um futuro diferente, para melhor. 

José Augusto de Jesus

Advogado

Partida em Coruche do Grande Prémio de Ciclismo Abimota - Fotos: João Dinis