chamuscal apartilhatecfresh2018 slide

JOSÉ AUGUSTO DE JESUS, advogado.

É Natal! Já muito se disse sobre esta época festiva e muito mais se dirá. Não tenho a pretensão de escrever algo de novo, mas seja-me permitido duas ou três linhas.

Para aqueles que acreditam, hoje nasceu Jesus. Para os que não acreditam o Natal também é Nascimento. Todos nós deveríamos conseguir identificar a Esperança a nascer. Esperança em algo de melhor!

Nestes tempos que atravessamos e que são muito difíceis, os meus votos são que, de facto, todos consigamos alcançar, recuperar e perceber essa Esperança. Nos dias de hoje é imperioso que consigamos perceber uma Luz lá ao fundo do túnel.

Por razões políticas, sociais e sobretudo económicas, somos levados quase naturalmente a desfalecer: é o desemprego, é a degradação da nossa condição económica, o descrédito naqueles que nos governam, e muitas outras razões sobejamente conhecidas por todos.

E não pensem que este é um problema só nosso, aqui neste "cantinho à beira mar plantado". É bem mais abrangente! Vivemos numa aldeia global e não dependemos só de nós. Para perceberem isto mesmo vejam o que se passa em Portugal mas lembrem-se também do desemprego em Espanha, da crise política em Itália, das convulsões sociais na Grécia, da assistência financeira na Irlanda, da austeridade que graça por essa Europa fora.

E porque assim é, porque já não depende de nós ou dos espanhóis ou gregos, ou dos irlandeses, o meu pedido neste Natal é para que os que nos governam efetivamente, e que são aqueles que nos pagam os subsídios, os ordenados ou as pensões (e que não vão ficar a perder bem sei), percebam que esta austeridade a que nos submeteram não pode ser a única resposta aos nossos problemas.

Eu quero ter a Esperança que os mercados não podem substituir Deus! Eu quero ter a Esperança que as "troikas" - que nos governam de facto - percebam que há vida para além dos números e das estatísticas! Eu quero ter a Esperança que não vamos chegar tão baixo, tão baixo que a mínima migalha possa ser celebrada com o júbilo do crescimento económico. Ou dito de outra forma, que as nossas condições se degradem tanto que as grandes multinacionais considerem deslocalizar as suas indústrias produtivas da Índia ou da China para Portugal de forma a reduzirem nos custos de produção...

E porque estamos quase em 2013, gostaria de acrescentar outro pedido, neste Natal, para o Novo Ano: Solidariedade! Sei bem que o mundo não vai mudar em "dois tempos". Sei, todos sabemos, as dificuldades que temos, uns mais outros menos. É fundamental que aqueles que mais podem possam partilhar com os que menos têm. Felizmente somos exemplares na arte de ajudar quem mais precisa. Em 2013, ser solidário vai significar muito mais, como já há muito tempo não significava. Faço votos para que todos, com muita saúde, estejamos a altura! E já agora, que as "troikas" dêem um "empurrãozinho"...

 

José Augusto de Jesus

Simulacro da Proteção Civil no Entroncamento - Fotos: José Neves