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Vítor Hugo Catulo

vitor catulo newParece que não temos primeiro ministro, mas temos! Pode meio país estar a arder, podem milhares de bombeiros exaustos, e algumas centenas de militares suar a estopinhas, enquanto andam a combater as chamas por esses montes e vales, pode o inferno até ter descido às matas de Monchique e ir queimando sem dó nem piedade, há quatro dias seguidos, a catrefada de eucaliptos - dariam dinheiro tão rápido essa arvorezinhas aos seus donos! - plantados a torto e a direito, sem qualquer controle por esse país fora.

Podem até aldeias inteiras estar a ser evacuadas e milhares de passageiros viajar em comboios sobrelotados com direito a sauna grátis, um serviço extra, um mimo quiduxo, proporcionado por essa feliz sorvedoura de dinheiros públicos que é a CP, que o nosso Primeiro, esse ninguém sabe por onde anda. Mas temos primeiro ministro!

Embora a gente não o veja a gente sabe que ele existe.

O homem terá trocado os sapatos pretos por uns havaianos de rasto duplo, o fatinho de função por umas bermudas folgadas, a camisa de colarinho por uma "t-shirt" estampada toda "fat guy" e ter-se-á ausentado, de malas e bagagem, para parte incerta.

Andará por aí algures, incógnito, sem dar notícias mas deixou tudo muito bem organizado e entregue aos bons cuidados do Presidente da República que, entre um mergulho e outro nas lagoas e albufeiras desse imenso Portugal profundo, em jeito de "entertainer" de festa pimba nos vai dando algumas notícias do reino.

E após esta esta estranha transmutação de poderes, foi de "vacances" o nosso Primeiro com a sua cara metade que é professora e que por acaso até é solidária com os seus pares quando exigem a contagem integral de tempo de serviço prestado e prometem novas formas de luta assim que regressem da ida a banhos.

Desengane-se quem julga que este senão, de ter assim como que uma raposa no galinheiro, lhe tira o sono ou lhe perturba a paz. Diz-se que quando se respeita o espaço vital de cada um os antagonismos mitigam-se e as diferenças se completam. É um dos princípios da meditação budista.

António Costa é um primeiro ministro zen. Nada o perturba. Alguém o viu pestanejar quando há uns anos montou, qual Bandarra sapateiro e adivinho, a tão afamada geringonça? Alguém o ouviu a criticar em público a infeliz Catarina, essa nobre dama de coração ardente e pelejadora por libertárias causas, quando deu um par de tiros certeiros nos pés delicados que a sustentam ao defender o seu indefensável companheiro de partido Ricardo Robles no, por ora abortado, negócio do prédio de Alfama? Não! Simplesmente porque ele sabe que Catarina não precisa que ninguém a enterre, ela enterra-se sozinha. Há-de apresentar-se-lhe arrependida e ele deitar-lhe-á a mão e a geringonça não se há-de desengonçar.

E com a mesma certeza de que o incêndio que continua a lavrar no eucaliptal em que transformaram a serra de Monchique se há-de extinguir com a "melhoria das condições climatéricas", o imperturbável Primeiro Ministro deste País onde parece que está tudo bem, profetizará que tudo o mais também se resolverá com o tempo e pela sua forma natural.

 

Partida em Coruche do Grande Prémio de Ciclismo Abimota - Fotos: João Dinis