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Vítor Catulo

vitor catulo newSão inegáveis as consequências de uma votação mesmo com os abstencionistas que se estão marimbando para as eleições.

Veja-se o que aconteceu no passado domingo: a queda anunciada de um homem que ocupou o mais alto cargo na acção governativa que nos andou a pôr à míngua enquanto fechava os olhos às negociatas e truques de magia de alguns milhares de famílias que enriqueceram à tripa forra, fugiram aos impostos, mas continuam incólumes.

E que dizer do partido de esquerda do arco de apoio parlamentar ao atual governo a atacar... o governo que apoia? A forma, agressiva e demolidora, como o fez o Comité Central pela voz do seu secretário geral é de pasmar! Sinceramente não estava à espera. É o lobo a despir a pele de cordeiro.

A dor de corno é terrível e deve doer que se farta quando se trata de ver amadas de longa data, como Almada, fugir para os braços de outro ainda por cima quando o outro é um amigo... mesmo de circunstância! Fácil é atirar as culpas a outros e ignorar o fator desgaste. Não deve deixar de ser enfadonho levar sempre com os mesmos lá na terra!

Por mais que os dois alvos das acusações da alegada traição digam estar tudo bem, e procurem contornar os seus efeitos, aligeirando-as e não lhes dando importância, é de se esperar que o namoro entre eles, que até estava a ser interessante, comece a perder um certo charme e acabe tudo num saco de gatos.

Entretanto os "barões" do partido do senhor que ganhou as eleições em 2015, que acabou apeado do poder por via de uma alegada trama parlamentar e que foi agora castigado pelo povo por erros que cometeu e malfeitorias que deixou fazer, limpam as armas e contam munições para o substituir. Avizinham-se grandes combates alguns dos quais não vão ser bonitos de ver, até surgir um novo chefe que tem destino traçado: oposição.

E tudo isto, e o mais que se seguirá, devido a uma ação, aparentemente banal, que 5 173 186 de portugueses eleitores praticaram em 1 de outubro: votaram. Cada um dos que foi pode dar-se ao direito de sentir um pequeno orgulho interior por ser considerada uma pessoa importante: cada um de nós, afinal, quando votamos provocamos mudanças: caiem cabeças outros ganham cadeiras.

Os restantes 4 238 354 que não foram votar usufruíram do direito de não o fazerem. Questionável prerrogativa, mas aos abstencionistas eu digo e certamente o dirão também os restantes que no domingo foram às urnas: votar vale a pena, porque afinal, o povo é quem mais ordena!

Futebol: Jogo Coruchense x Mondenense | Fotos: João Dinis