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Vítor Catulo

vitor catulo newLer os jornais on line aos fins de semana deixou de ser apenas exercício de curiosidade em saber o que se passa e passou também a ser um passatempo para mim, do tipo "encontre as diferenças", que às vezes chega a ser hilariante.

Despertei para esse sádico e maquiavélico entretenimento, dirão alguns, quando há uns anos, um jornalista bem conhecido, a dar ares para o mal disposto e sofrer da bílis, como Napoleão, que também é escritor, com curso de Direito de muitos anos exercido, e comentador televisivo que não gosta de redes sociais, ter revelado que, de sexta a domingo, as redações dos jornais ficavam entregues a estagiários.

Na altura, se bem me recordo, comentava-se a qualidade da imprensa escrita e do estado da carreira de jornalista em Portugal e do seu futuro.

Já havia dado conta de algumas calinadas, deliciosas umas, de arrepiar os cabelos muitas, que só podiam vir de iniciados com um nível cultural típico de quem só andou a "estudar para os testes" obtido de leituras rápidas aos livros de bolso da Porto Editora e de consultas àquele tio sábio, que mora nos nossos computadores e que sabemos todos quem é.

E Miguel Sousa Tavares confirmou: aos fins de semana e vésperas de feriado quem "manda as notícias cá para fora" são os novatos, desejosos de fazer carreira, alguns, e de mostrar serviço todos. "Os estagiários não reivindicam, são mão de obra barata e significam poupança para aos donos dos jornais, porque não tem de pagar horas extraordinárias", explicou, mais ou menos assim, MST.

De facto, quais progenitores extremosos com muitos filhos criados, os mais velhos deixam as suas recomendações aos infantes com a clássica disponibilidade, que fica sempre bem, "se tiveres alguma dúvida, liga-me, puto" enquanto alinhavam um artigo ou outro para a segunda feira seguinte, se não for feriado, e se põem a andar com a mochila às costas, para outras paragens. 

Quem estiver minimamente atento ao conteúdo de algumas notícias e que não se deixe ficar apenas pelas parangonas, apercebe-se da redação académica, que cheira a bancos de escola, de erros de composição e de alguma falta de rigor, nomeadamente da referência, se se fez ou não, consulta às chamadas "fontes oficiais".

Poderia enumerar uma lista de algumas dessas preciosidades noticiosas de fim de semana, se me convidarem a isso, mas por ora fico-me por esta última que li há poucas horas num jornal da região.
A notícia, que deveria ser sobre a passagem da Volta a Portugal em Bicicleta pela capital do Gótico, e da Liberdade também, acabou numa embrulhada, digna de argumento "tviesco". Protagonistas: o polícia "passarinho", o condutor desobediente, alegadamente diplomata e sexagenário, o jovem de 24 anos que vai em defesa do polícia e acaba a levar uns tabefes do "mau da fita" e o pai do cidadão que ainda foi a tempo de anotar a matrícula do carro para apresentar queixa. O cenário não poderia ser melhor: em frente do restaurante do chinês.

Não é a primeira vez que se fazem filmes em Santarém ao melhor estilo de H(B)ollywood. Nem será a última. 

Que benham mais destas e nos valha Santa Bárbara!

 

Futebol: Jogo Coruchense x Mondenense | Fotos: João Dinis